Problemas na coleta de lixo em Goiânia voltaram a ser denunciados um mês depois de O POPULAR mostrar que o serviço tinha sido afetado em razão de questões contratuais com uma empresa terceirizada. Esta semana, moradores do Jardim Caravelas, na região Oeste da capital; do Centro, e dos setores Itatiaia e Jaó, áreas norte da cidade, voltaram a reclamar do atraso no recolhimento de resíduos, orgânico, reciclável e verde.Ana Luíza Menezes, sócio-proprietária de uma distribuidora de bebidas no Jardim Caravelas, está incomodada com o lixo que vem se acumulando na porta da residência dela. “O caminhão passava por aqui três vezes por semana, mas desde quinta-feira da semana passada (15) não há coleta”, reclama. Segundo ela, os vizinhos e moradores de ruas próximas enfrentam o mesmo problema. “Para nós, que temos comércio, é péssimo, porque não temos como destinar este lixo, a não ser por meio da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg).”Em agosto, a Comurg, empresa de economia mista que entre as atribuições, há a coleta de lixo da capital, atrasou o recolhimento de resíduos em diversos pontos da cidade. Reportagem do POPULAR mostrou que a falta de pagamentos à empresa terceirizada Ita Frotas, que fornece veículos e motoristas para a Comurg, implicou diretamente na queda da qualidade dos serviços aos goianienses. Sem dinheiro em caixa, a Ita suspendeu a sua parte contratual. Sem veículos, a Comurg reduziu pela metade o volume de combustível adquirido diariamente, caindo de 25 mil a 30 mil litros diários, para 15 mil.Ao Jackson Abrão Entrevista, programa do POPULAR, no dia 22 de agosto, o prefeito Rogério Cruz (Republicanos) atribuiu à burocracia a morosidade para sanar as questões contratuais com a empresa. Há cerca de 15 dias, uma moradora do setor Alice Barbosa, nas proximidades do câmpus Samambaia, da Universidade Federal de Goiás, enviou uma mensagem para a Comurg reclamando da ausência de coleta de lixo no bairro. “O serviço de coleta encontra-se com problemas técnicos que, em breve, serão resolvidos”, enviou como resposta um servidor.“Mas isso não ocorreu”, afirma o presidente do Conselho Comunitário de Segurança do Setor Itatiaia, Marcelo Gomes de Deus, Segundo ele, há duas semanas não há regularidade na coleta. “Nessa região são, no mínimo, dez bairros, onde os caminhões da Comurg passam na terça, quinta e sábado. Depois de uma semana sem recolher o lixo, na semana passada, o caminhão passou na sexta-feira”, disse.M., moradora do Centro, que prefere não se identificar, conta que está impressionada com o abandono da área onde vive. “Entre a Rua 9 e a Avenida Goiás, subindo pela Rua 8 e na própria Rua do Lazer há lixo por todo lado. Eu abri uma jantinha aqui há 15 dias e o lixo está acumulado. Muitos sacos são rasgados por pessoas em situação de rua, em busca de comida. É muito ruim isso, estou incomodada porque meus fregueses reclamam”, afirmam.Leia também:- Número de comissionados na Comurg cresce 135,7% em 1 ano- Visitas contra a dengue caem 20% em Goiás- Falta de pagamento e de diesel causaram crise na coleta de lixo, em Goiânia- Prefeito de Goiânia nega que bairros tenham ficado 15 dias sem coleta de lixo- Setores Bueno e Jaó, em Goiânia, ficam sem coleta seletivaEm agosto, moradores do Setor Jaó reclamaram que o bairro não estava recebendo os caminhões da coleta seletiva, um movimento que é incentivado pela Associação de Moradores e pelo Conselho Comunitário de Segurança. Adriana Dourado, que preside as duas entidades, disse ao POPULAR nesta terça-feira (20) que foram 21 dias sem a coleta de recicláveis e outros sete sem a coleta de resíduos orgânicos. “Ambos os serviços foram normalizados, mas agora estamos enfrentando o problema do resíduo verde que está acumulado nos canteiros e praças. Os varredores reúnem as folhas e os galhos que não vêm sendo recolhidos, e aí vem mais lixo, e bichos como escorpião, lacraia e cobra.”Na semana passada Adriana Dourado enviou um ofício à Comurg pediu a retirada dos resíduos. No documento ela lembrou que o acúmulo incentiva o descarte de lixo irregular.A Comurg admitiu, em nota, que o serviço passa por problemas. Eles foram atribuídos a “aquisição de peças de reposição para a manutenção dos equipamentos destinados à coleta.”A companhia afirmou ainda que trabalha para normalizar os trabalhos na capital.