Cinco ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negaram por unanimidade o recurso do Hospital Renaissance contra uma decisão judicial por despejo do prédio, no Setor Marista, em Goiânia, por falta de pagamento de aluguéis. A dívida já soma mais de R$ 3 milhões, sem contar multas. O acórdão, do dia 26 de outubro, teve como relatora a ministra Nancy Andrighi, que considerou que o hospital entrou com o recurso fora do prazo. A defesa dos donos do Renaissance informou que não tem conhecimento da decisão, mas que está pagando os aluguéis em juízo desde janeiro.A falta de pagamento se justificaria por conta do acúmulo de dívidas do hospital, que chegou a entrar em recuperação judicial, que é uma forma de postergar, renegociar e alterar as dívidas. No entanto, o procedimento não foi aprovado e o Judiciário ainda não decidiu sobre a falência ou não do hospital, por conta da pandemia do coronavírus.Segundo dois sócios do hospital ouvidos pela reportagem, Ricardo e Roberto Haddad, eles tentaram negociar a dívida dos aluguéis, mas não obtiveram sucesso. Além disso, informaram que já visam outros imóveis para transferir o hospital, caso não consigam continuar onde estão atualmente. Em nota, o advogado do Renaissance, Márcio M. Cunha, informou que não tem conhecimento da decisão do STJ, porque o site do tribunal teria sido alvo de hacker na última quarta-feira (4). Além disso, alegou que vem depositando os aluguéis perante o juiz da recuperação judicial e que cabe recurso à decisão.Ainda na nota, o hospital relata sua importância social para a Saúde na capital, com o atendimento de mais de 5 mil pacientes da Covid-19. Ofícios das secretarias de Saúde municipal de Goiânia e estadual de Goiás do dia 28 de outubro declaram a essencialidade do Renaissance para o Sistema Único de Saúde (SUS), que o hospital atende por convênios. Em um dos documentos, a superintendente de regulação do município, Andreia Alcântara, ressalta que o cenário já é de escassez, com o fechamento dos hospitais São Salvador, Santa Genoveva, Lúcio Rebelo, Hospital Cidade Jardim. “O Hospital Renaissence é um dos que mais atenderam pacientes de Covid-19, no Estado, possuindo 36 leitos de UTI com, a maior quantidade de respiradores em Goiás e jamais deixou de atender qualquer paciente que ali buscou amparo, e eventual fechamento de um Hospital em plena Pandemia pode prejudicar e comprometer a Saúde Pública de toda sociedade”, diz trecho da nota da defesa. Relembre o casoO plano de recuperação judicial do Renaissance foi negado em dezembro de 2019 pela assembleia de credores, que é formada por pessoas e empresas que possuem valores a receber com a unidade. Um dos credores é a Marista Participações, empresa dona do imóvel que pediu o despejo na Justiça. A aprovação do plano nesta assembleia é um dos requisitos para a empresa conseguir a recuperação. Reportagem do POPULAR da edição de 5 de dezembro de 2019 revelou que seis dos credores, que representavam mais de 50% da dívida da empresa, foram excluídos da assembleia pelo Judiciário, por suspeita de fraude. Haveria indícios de ligações de cinco deles com os sócios do hospital, o que é proibido por lei. A decisão ocorreu depois que os advogados do Renaissance na recuperação foram presos preventivamente na Operação Máfia das Falências, do Ministério Público de Goiás (MP-GO), que investigava a suspeita de fraude na recuperação do Grupo Borges Landeiro.