No dia 2 de setembro passado, as irmãs Lélia e Ivanilda Neves, e a filha desta última, Karina Neves, haviam acabado de mandar um vídeo para a família comemorando a viagem de Goiânia até uma fazenda em Barrolândia (TO) quando o veículo em que estavam se chocou com um caminhão próximo a Gurupi (TO). As três morreram com a colisão, que ocorreu após a motorista, Lélia, perder o controle do carro em uma estrada chamada de “Rodovia da Morte” ou “Rodovia do Medo”, justamente a BR-153 Norte, entre Anápolis e Aliança do Norte (TO).Daquele dia até o último sábado, outras 13 pessoas faleceram neste trecho de rodovia federal. Em cinco semanas, a média é de 3,2 mortes por período de sete dias. O último acidente foi na noite de sábado e envolveu nove veículos, sendo dois caminhões. Quatro pessoas morreram carbonizadas e seus corpos, até o final da tarde desta segunda-feira (09), ainda estavam no Instituto Médico Legal (IML) de Uruaçu sem identificação. Entre 2014 e 2016, foram 565 mortes, ou seja, uma a cada dois dias.Neste mesmo período, o trecho em questão deveria ter passado por manutenção e reformas, incluindo a sua duplicação, pois foi quando a Galvão Engenharia ganhou a concessão para explorar a estrada através da cobrança de pedágio. A taxa, no entanto, nunca foi cobrada porque as obras nunca foram feitas. Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a empresa fez apenas “trabalhos iniciais, como serviços de capina, roçada, poda, limpeza e retirada de entulhos e materiais orgânicos, entre outros”.Três anos depois, em agosto passado, a União cancelou a concessão por falta de cumprimento do contrato. A ANTT recomendou que esse processo fosse feito e a responsabilidade pela rodovia passou a ser do Ministério dos Transportes Portos e Aviação Civil (MTPAC) e a execução dos serviços do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Segundo o órgão nacional, o trecho já foi assumido e três contratos de manutenção da via foram assinados. Ao todo, os contratos valem cerca de R$ 32 milhões e foram realizados com as empresas CCL, RDO e Maseng.Em nota, o órgão informa que “desde que reassumiu o trecho, o DNIT tem realizando o trabalho de manutenção da via, e executará até o final do ano um novo projeto de sinalização”. No entanto, reforça que “a intenção do Governo Federal é de duplicar o trecho mencionado, tanto que já está em andamento no órgão um estudo de viabilidade para a realização de nova licitação de concessão”. Os serviços, no entanto, não aliviaram a situação do trecho rodoviário, segundo transportadores ouvidos pela reportagem.Presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Goiânia (Sinditac), Vantuir Rodrigues, o tramo norte da BR-153 é o pior trecho rodoviário de Goiás. “Chamam de corredor da morte e toda semana perdemos um companheiro por lá. A pior parte é entre Uruaçu e Porangatu, mas tudo é ruim”, conta. O vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Estados de Goiás, Danilo Costa Oliveira, os motoristas e as transportadoras estão de mãos atadas. “Só ficamos vendo de longe mesmo a questão da concessão e o governo que não faz nada. O pior é o medo mesmo e a insegurança, porque ainda tem muito assalto nesse trecho”, explica.-Imagem (Image_1.1366353)