Já pensou estar trabalhando em uma biblioteca e se deparar com vários alunos idênticos entrando e saindo várias vezes do local? Foi o que aconteceu com a Fabíola Santiago, auxiliar de sala de leitura da Escola Municipal Jardim Nova Esperança, em Goiânia. A escola tem sete casos de gêmeos e um caso de trigêmeos. O POPULAR foi até a escola para conhecer um pouco de como funciona a dinâmica do dia a dia com tantos alunos iguais na instituição.
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Fabíola Santiago contou à reportagem que ela achava estranho que chegava um aluno e depois chegava outro igual ao que tinha saído e ela pensava que era o mesmo aluno. Ao perceber que eram irmãos gêmeos a colaboradora teve a ideia de fazer um vídeo com todos os gêmeos e as trigêmeas para postar na rede social da escola. Ela chamou uma professora de matemática da escola para ajudar a reunir todos eles.
Eu pedi para eles se reunirem e quando eu vi que tinha esse tanto de menino eu achei interessante e convidei uma professora para me ajudar a juntar todos para fazermos foto e um vídeo", disse.

Fabíola Santiago, auxiliar de biblioteca, com os gêmeos e as trigêmeas na escola (Isadora Sátira/O Popular)
O vídeo que Fabíola Santiago fez está hoje com mais de 1 milhão de visualizações na rede social da escola. Segundo ela, a página de uma rede social de um jornal da região Noroeste de Goiânia publicou o vídeo e ajudou a instituição a ficar mais conhecida pelo fato inusitado que existe ali.
Eu não achei que ia viralizar igual viralizou. Eu vim de outra instituição que tinham gêmeos, mas não igual aqui, esse tanto de meninos reunidos", contou.
Em entrevista ao POPULAR , a coordenadora da escola, Greyce Kelly, contou que também não consegue diferenciá-los.
A gente tem um quantitativo muito grande de alunos na escola, então eu pergunto para eles mesmo", disse.
Contudo, a coordenadora disse que durante o cotidiano escolar eles tem comportamentos diferentes.
A gente percebe que um tem o jeito diferente do outro. Por exemplo, a Nicolly gesticula mais, o Pedro e o Davi, o Pedro é um pouquinho mais calmo. Então a gente percebe ali nos movimentos do dia a dia", relatou.
Conheça os alunos

Todos os sete casais de gêmeos reunidos mais as trigêmeas (Isadora Sátira/O Popular)
Nicolly e Sophia - 11 anos - 6º ano A e C
Pedro e Davi - 9 anos - 4ºB
Samuel e Luís Otávio - 8 anos - 3ºA
Daniel e Davi - 11 anos - 6º B
Davi Luiz e Ana Luiza - 11 anos - 6º B
Júlia e Vitória - 11 anos - 6º A e B
Katrina e Katarina - 8 anos - 2º ano A e C
Izabel, Helena e Lívia - 11 anos - 6º A
Davi Luiz, de 11 anos, irmão gêmeo da Ana Luiza, contou como faz para identificar os colegas Daniel e Davi, de 11 anos, dentro da sala.
O dente dele tem um que é maior que o outro, e um também tem tipo um buraquinho na cabeça dele, porque ele bateu a cabeça e ficou essa marca, esse outro já não tem", disse.

Nesta sala estão os gêmeos Davi Luiz e Ana Luiza. Os gêmeos Daniel e Davi. A irmã gêmea da Vitória, a Júlia. (Isadora Sátira/O Popular)
Segundo Davi Luiz, ele e os colegas não confundem mais, devido o tempo de convivência, mas os professores ainda se confundem.
Quando nos conhecemos pela primeira vez eu ficava perguntando 'qual o seu nome', aí demorou uns dois meses para eu decorar o nome de cada um e saber quem era quem, agora eu não confundo mais não", contou.
Ao conversar com as gêmeas Nicolly e Sophia, de 11 anos, descobrimos como diferenciá-las, apesar delas ser idênticas.
É que ela tem uma mordida de cachorro no rosto. Mas antes disso não dava para diferenciar", disse Nicolly.
O trabalho da escola

Nesta sala estudam as trigêmeas Izabel, Helena e Lívia, e a irmã gêmea da Júlia, a Vitória. (Isadora Sátira/O Popular)
Alguns gêmeos estudam em salas separadas, mas cursam o mesmo ano letivo. Segundo a coordenadora da escola, eles tentam separar os irmãos e colocá-los em salas diferentes para trabalhar eles enquanto indivíduos únicos.
A gente trabalha muito aqui na escola a percepção deles como indivíduo. Porque a gente não pode deixar que eles se apoiem sempre no irmão. Alguns aceitam ficar em salas diferentes, mas tem alguns que não aceitam ainda, mas a gente tenta separar as salas para eles conseguirem crescer enquanto indivíduo", disse.
Segundo a coordenadora, todos os gêmeos e as trigêmeas só se conheceram melhor e se tornaram amigos após Fabíola Santiago ter tido a ideia de juntá-los e fazer o vídeo.
A Fabíola gosta muito dessa questão do Social Midia. Aí ela falou 'Greyce você já percebeu o tanto de gêmeos que tem aqui?' Aí eu falei para ela que eu sei que tem mas que eu nunca parei para contar. Então foi aí que a gente percebeu a proporção", relatou.
Como os professores lidam com tantos casos
Ao POPULAR, a professora de matemática, Rosimary Zanetti, contou que uma das coisas engraçadas que já aconteceu com ela em relação aos gêmeos foi confundir duas irmãs, a Júlia e a Vitória, de 11 anos, que estudam em salas diferentes.
Eu percebi que eu dei aula para essa menina agorinha e agora de novo, e eu falei 'Você não estava na sala de lá?' Aí ela 'Não professora, lá é a minha irmã', foi a primeira coisa", disse.
Outro caso que ela vivenciou foi com as gêmeas Nicolly e Sophia. Segundo a professora, as duas são muito parecidas, o que dificulta na hora de diferenciá-las.
Eu acho muito parecidas, a diferença delas eu tive que perguntar. Quando elas vem me perguntar no corredor eu olho o rosto, por causa da mordida, que é o caso da Sophia. Porque eu não consigo diferenciar se elas estiverem fora de sala", disse.
Outra professora que usa algumas táticas para diferenciar os alunos é a Mary Rose, que dá aula para os gêmeos Samuel e Luís Otávio, de 8 anos, na turma do 4° ano B. Segundo ela os dois são muito unidos, estão sempre juntos, dentro e fora de sala.
Eles são muito unidos, tem que sentar juntos, se eles não sentarem um atrás do outro eles acham ruim. Eles são muito parecidos, eu diferencio porque eu sei que o Samuel senta na frente e o Luiz Otávio senta atrás. Mas se eles mudarem de lugar eu já não diferencio eles", contou.
Já Samuel e Luís Otávio, gêmeos idênticos, encontraram uma forma para ajudar os professores e colegas a diferenciá-los. As hastes do óculos de Samuel tem detalhes na cor verde enquanto as do Luís Otávio os detalhes são vermelhos.

Gêmeos Samuel e Luís Otávio em sala de aula (Isadora Sátira/O Popular)