As bancas de heteroidentificação nas universidades, que avaliam se os alunos que se beneficiaram de cotas para negros são realmente pretos ou pardos, ganharam espaço na tentativa de se evitar fraudes, mas não há consenso sobre o modelo a ser adotado. Entrevistas presenciais, videoconferência, análise de foto enviada pelo próprio aluno ou tirada durante as provas do vestibular são os métodos adotados por algumas da principais instituições brasileiras. O mais recente debate sobre essas comissões irrompeu desde a revelação, pela Folha de S.Paulo, de dois casos de candidatos da USP que tiveram a matrícula cancelada, um em direito e outro em medicina, por não terem sido considerados pardos pela universidade, que os avaliou por foto e, depois, por vídeo. Somente este ano, a USP recebeu 204 recursos de alunos que concorreram às 2.067 vagas reservadas para pretos, pardos e indígenas. Apenas 51 foram deferidos. Após a polêmica envolvendo dois dos cursos mais concorridos do país, o reitor Carlos Carlotti Junior prometeu que as bancas serão presenciais.