Usuários de telefonia celular das empresas Claro e TIM enfrentaram um apagão de serviços em todo o Estado, que deixou muita gente incomunicável, causando prejuízos e preocupação. A pane na TIM foi a mais grave. Começou às 22 horas de segunda-feira e até o fechamento desta edição, às 23 horas, a comunicação com telefones da operadora ainda estava prejudicada. Já o problema com a Claro durou aproximadamente oito horas, na tarde e na noite de segunda-feira. As empresas não informaram o número de usuários afetados pelas panes. Elas foram autuadas pelo Procon de Goiás e a multa, segundo o órgão de defesa do consumidor, poderá chegar a R$ 6,42 milhões. O gerente de Pesquisa e Cálculo do Procon de Goiás, Gleidson Thomaz, conta que as reclamações contra a Claro dão conta de que o serviço foi interrompido por volta das 16 horas de segunda-feira. Ontem, logo cedo, dezenas de pessoas procuraram o órgão para reclamar da falta de serviço da TIM. Diante da constatação de que houve interrupção total do serviço, afetando usuários de todo o Estado, que não conseguiam contato com as empresas para ter informações sobre o que estava acontecendo, o gerente do Procon conta que a opção foi autuar as empresas. Muita gente teve prejuízos com a interrupção do serviço. A contato comercial Valéria Aquino, por exemplo, conta que não conseguiu falar com seus clientes e por isso poderá perder anúncios cujos contratos deveriam ser fechados ontem. Já para a advogada Jaqueline Santana os danos foram emocionais. Ela desesperou-se com a falta de contato com o filho que não chegava em casa. O jovem se atrasou mais de quatro horas e ela não conseguia notícias. Chorou até descobrir que o filho estava sem transporte, por causa dos protestos contra o aumento da tarifa. Em menos de meia hora, mais de cem internautas se queixaram de problemas na página do POPULAR no Facebook. Um deles contou que na cidade de Itapuranga não havia sinal da TIM desde as 14 horas de segunda-feira. Outra leitora, Aressa Freitas, disse que perdeu uma reunião de trabalho, porque ficou incomunicável. “Será que a TIM vai arcar com meu prejuízo financeiro, visto que hoje fecharia um contrato?” . Talita Pereira viveu momentos de apreensão. Sua tia está no hospital e ela não conseguia informações. As empresas têm prazo de dez dias para apresentar defesa ao Procon. Depois disso, o órgão vai calcular o valor da multa que deverá ser aplicada, levando em conta o número de usuários afetados e o faturamento das empresas. As autuações foram feitas na manhã de ontem. Gleidson pede que os usuários prejudicados não deixem de registrar reclamações. Ele explica que registros do Procon servem de “termômetro” para a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que também pode aplicar multas e sanções administrativas. Outra orientação do Procon é para quem teve prejuízo em decorrência do apagão, especialmente prestadores de serviço que usam o celular para trabalhar. Independentemente de registrar reclamação no órgão de defesa do consumidor, elas podem reclamar os prejuízos na Justiça. Os pedidos com valor de até 40 salários mínimos (R$ 27,1 mil) podem ser pleiteados nos juizados especiais. Os que não ultrapassam 20 mínimos (R$ 13,5 mil) podem ser apresentados pelo próprio requerente, sem a necessidade de advogado. “Se o consumidor quiser, o Procon faz a petição inicial para ele ingressar na Justiça”, orienta Gleidson. Ele classifica de muito grave o que aconteceu. “Não me lembro de interrupções tão longas”. Reclamações No Procon de Goiás, as empresas de telefonia e os serviços financeiros revezam-se no primeiro lugar de reclamações dos usuários. O gerente de Pesquisa e Cálculo do Procon considera natural que eles tenham muitas reclamações devido ao número de usuários atendidos, mas pondera que não é normal que haja falhas consideradas graves no fornecimento de serviços, especialmente de telefonia. As estatísticas do Procon revelam uma queda no número de reclamações neste ano. De 1º de janeiro a 20 de maio do ano passado, foram 3.911 atendimentos a clientes de telefonia celular no órgão. No mesmo período deste ano, foram 2.633 casos – redução de 32,6%. Para Gleidson Thomaz, a redução revela que as empresas estão mais preocupadas em resolver e minimizar os problemas para os consumidores. Em nota à Redação, a TIM informou que os “clientes de Goiás podem encontrar dificuldades nos serviços de voz e dados devido à falha em uma das centrais da operadora”. Disse ainda que a equipe técnica trabalha junto com o fornecedor do equipamento o restabelecimento dos serviços “o mais breve possível”. A Claro respondeu ao POPULAR por meio de nota enviada pela assessoria de imprensa, na qual informa que a rede 3G passou por período de instabilidade, tendo sido o sinal integralmente restabelecido à 00h20. “A situação ora reportada fora inesperada, impossibilitando um comunicado prévio aos usuários, que podem ter tido dificuldade momentânea de estabelecer chamadas. A rede 2G, entretanto, permaneceu disponível como opção para realização de chamadas de voz”, prosseguiu a nota. A Claro pediu desculpas pelos transtornos e reafirmou seu “compromisso de continuar trabalhando para oferecer sempre a melhor cobertura e qualidade de atendimento para seus clientes”. Sobre a autuação pelo Procon, a Claro informou que recebeu na tarde de ontem notificação solicitando esclarecimentos a respeito da falha. “A operadora afirma que apresentará todas as informações e esclarecimentos ao órgão, dentro do prazo estipulado”, concluiu a nota.-Imagem (Image_1.327822)