O vigilante Paulo Henrique de Souza, de 37 anos, levou quatro dias para conseguir uma troca de curativo no Distrito Sanitário Campinas-Centro (divisão das unidades de saúde por região no município), em Goiânia. Mesmo com um braço quebrado e 15 pontos na barriga, ele teve o atendimento recusado em três centros de saúde do perímetro e só conseguiu auxílio na quarta unidade, após percorrer, mesmo debilitado, quase 14 quilômetros. As justificativas variaram entre falta de insumos e de estrutura. O POPULAR percorreu o mesmo caminho que Paulo, de porta em porta, e descobriu diversas deficiências nas unidades da área. A tarefa hercúlea começou na sexta-feira (21), quando Paulo Henrique procurou o Centro de Saúde Norte Ferroviário, o mais perto de sua casa, para trocar o curativo da barriga. O atendimento foi negado sob alegação de que as salas da unidade estavam mofadas. No mesmo dia, com dificuldade, o vigilante se deslocou até o Centro de Saúde Fama, onde também disseram ser inviável realizar o procedimento por falta de insumos. Paulo voltou para casa sem atendimento e sem previsão de resolução, uma vez que os Centros de Saúde não abrem aos finais de semana.