O retorno das aulas presenciais na rede municipal de ensino em Goiânia, embora ainda em modelo híbrido, contou com a presença de menos estudantes do que o reservado pela Secretaria Municipal de Educação (SME). A previsão era de atender metade das turmas em sistema de rodízio, mas apenas 30% dos alunos, em média, compareceram no Ensino Infantil e 40% no Ensino Fundamental. No entanto, a SME afirma que se trata de uma quantidade esperada por ser um primeiro dia de aulas ainda em um momento de pandemia de Covid-19 e que isso seria positivo para o cumprimento dos protocolos de biossegurança acertados e até mesmo para fortalecer os cuidados nas unidades de educação.Na última sexta-feira (13), o secretário da SME, Wellington Bessa, já havia informado que 60% dos responsáveis que estiveram nas unidades educacionais do município acenaram positivamente para o retorno das atividades presenciais. De modo que o menor número de estudantes não se tornou uma surpresa para a secretaria. O superintendente pedagógico da SME, Marcelo Ferreira, explicou que havia a preparação para o atendimento de 50% das turmas, mas que desta quantidade já havia a sinalização de responsáveis que não consentiram com o retorno presencial e ainda houve pessoas que não levaram as crianças neste primeiro dia de retomada. “A nossa expectativa é que poderemos chegar a esse número (de 50% das turmas) no início de setembro”, considera Ferreira. Ele conta ainda que a quantidade de alunos dentro das unidades de ensino tende a aumentar nos próximos dias. “Em todos os momentos com os pais, que foram convidados a ir às escolas, eles tiveram acesso a essa nova rotina, para garantir essa segurança. À medida que o processo vai dando certo, vai aumentando o número de alunos”, garante. Ele afirma que ainda há medo não só entre alunos e responsáveis, mas também nos profissionais nas escolas, mas há a expectativa de que isso diminua com o tempo.No entanto, o menor número de estudantes, de acordo com o superintendente, foi importante para iniciar a formação de uma nova rotina escolar. “Um menor número de alunos é melhor para treinar melhor nossos professores e profissionais nas escolas, ajuda na adaptação desse novo modelo”, argumenta. Ele reforça ainda que houve um menor número de estudantes nas unidades de Ensino Básico, como é o caso dos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), pela escolha da SME de realizar o atendimento escalonado por turnos.Neste caso, metade da turma estaria no período matutino e a outra metade no período vespertino. Mas a SME decidiu que apenas as crianças entre 3 anos e 5 anos e 11 meses pudessem frequentar as unidades neste primeiro momento. “Precisa de pouca criança mesmo para esse momento, é ideal que seja assim”, diz Ferreira. As crianças entre 6 meses e 2 anos e 11 meses estarão liberadas para voltar ao ambiente escolar a partir da primeira semana de setembro, mas ainda no mesmo método de divisão por turnos. VazioPara se ter uma ideia, no Cmei Alto da Glória, localizado na Região Sul de Goiânia, a diretora Juliana Faria conta que apenas 30% do que era esperado na unidade tiveram a presença confirmada. O Cmei possui 180 matriculados e cerca de 30 alunos compareceram no local no primeiro dia de retorno presencial. “De manhã veio menos do que no período da tarde”, diz a diretora. Ela conta ainda que este retorno foi bem tranquilo e não teve qualquer confusão com os pais. “Nos reunimos com todos antes e explicamos como funcionaria, não tivemos qualquer problema neste primeiro dia”, conta.A vendedora Grasielle Cristiane de Paula Couto levou os dois filhos gêmeos, Matheus e Felipe, de 5 anos, para a escola no Alto da Glória. “Eles precisam da escola, não podemos adiar mais isso. Ano que vem eles já estarão em uma escola, não será mais Cmei, e terão de conviver”, conta, ao lembrar que os filhos deixaram de conviver com outras crianças aos 3 anos. “Só agora que eu consigo descer com eles no condomínio, brincar com outras pessoas. Tenho certeza que eles seriam outras crianças se não houvesse a pandemia, se não precisasse ficar trancado nesse tempo”, acredita.Assim mesmo, Grasielle afirma que mantém o medo de deixar os filhos em ambiente escolar. “Não é pela escola, que está bem preparada, nova, espaço bem organizado. É mais pela questão das outras crianças, não sabemos como é o convívio delas, como é o cuidado com os pais.” De acordo com os protocolos apresentados pela SME, os responsáveis devem avisar a diretoria das unidades de ensino caso as crianças apresentem sintomas ou tenham contato com alguém contaminado pelo coronavírus. “Tomara que todo mundo fale mesmo, que ninguém omita nada, para ser um ambiente seguro.”Na entrada dos estudantes no ambiente escolar, há medição de temperatura, em que é permitido um limite máximo de 37,8 graus Celsius para liberar a entrada, além de outras medidas, como a limpeza das mãos com álcool 70% e obrigatoriedade do uso de máscaras. Segundo o superintendente da SME Marcelo Ferreira, neste primeiro dia não houve qualquer aluno acima deste índice na aferição de temperatura. “Foi um dia muito positivo, sem deslizes em nossas unidades. Tudo ocorreu conforme o esperado e dentro dos protocolos de biossegurança”, confirma Ferreira.-Imagem (1.2303349)