O vestido azul cobre a barriga estufada pela gravidez de seis meses. O enxoval aumenta dentro do armário pendurado na parede de uma cela do presídio feminino do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, na região metropolitana da capital. Condenada a 12 anos de prisão, em regime inicialmente fechado, por tráfico de drogas, a mulher, de 33 anos, carrega outra angústia.- Ainda não sei o sexo do bebê, mas o mais ruim é saber que vou ganhar e vou ter dias contados para ficar com ele.Outro exame marcado para esta semana deve tirar a grande dúvida da mãe. Ela foi presa em agosto deste ano. Durante uma abordagem policial em Goiânia, policiais militares constataram que havia um mandado de prisão em aberto em seu nome por um crime que foi praticado há oito anos. O primeiro exame intermediado pela equipe do presídio, logo após ser encaminhada ao sistema prisional, constatou a gravidez.-Eu já trabalhava como auxiliar de serviços gerais. Nunca pensei que iria passar por esta situação, porque já havia largado de fazer coisa errada.A gravidez anuncia a chegada do terceiro filho dela. O primeiro é uma adolescente que tem 15 anos e o segundo, um menino de 6 anos. A situação piorou ainda mais depois que o marido soube que ela não voltou para casa porque havia sido presa, por um crime cometido quando ainda morava no Espírito Santo.- Ele me abandonou. Depois, na última visita aqui no presídio, minha irmã veio e disse que a família dele voltou e pegou os meus outros dois filhos. Não sei o que faço, porque não vou ver meus filhos crescerem, mas quero ter a oportunidade de revê-los quando sair daqui. Estou arrependida pelo que fiz e vou pagar, mas quero meus filhos.