Celina Alvarenga, artesã de Pirenópolis que ganha a vida com a tecelagem. (Reprodução/Marcello Dantas) O som ritmado do tear atravessa a casa onde Celina Alvarenga, de 47 anos, trabalha ao lado do pai e da irmã mais velha, em Pirenópolis, município do entorno do Distrito Federal. Entre fios de algodão, pedais de madeira e desenhos guardados por décadas, a artesã mantém vivo um ofício que começou muito antes de ela nascer e que, na família dela, sempre esteve ligado diretamente à sobrevivência. Filha e neta de fiandeiras e tecelãs, Celina cresceu ouvindo a trajetória dos antepassados. Enquanto o avô trabalhava na abertura de pastos e na lavoura, a avó, Maria Celina — de quem ela recebeu o nome —, assegurava o sustento familiar por meio do artesanato, com o que melhor sabia fazer: transformar algodão em tecido e tecido em comida.