No maior apagão da telefonia móvel já registrado nos últimos anos em Goiás, com mais de 40 horas de pane, as operadoras TIM, Claro e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ainda não conseguem explicar os motivos do problema que afetou a vida de milhares de usuários no Estado e o negócio de centenas de empresas. A suspensão do serviço de voz e dados da operadora TIM, em Goiás, teve início na segunda-feira à noite e se prolongou até o fim da manhã de ontem. Apesar do restabelecimento, muitos usuários reclamavam durante a noite da ocorrência de linha cruzada. Na Claro, o problema com a rede 3G começou na tarde de segunda e durou 8 horas. A estimativa é de que o apagão possa ter atingido mais de 2,5 milhões de linhas dentro das áreas de DDDs 62, 64 e 61 em Goiás no Entorno do DF. O número representa cerca de 50% das 5,3 milhões de linhas ativas que as duas operadoras têm nestas áreas, segundo levantamento da Anatel do mês de março deste ano de 2013. Até o fim da tarde de ontem, a Superintendência de Defesa do Consumidor de Goiás (Procon) contabilizou 50 reclamações de usuários contra as duas operadoras (21 contra a TIM e 29 contra a Claro). Boa parte objetivando mover uma ação contra as operadoras pelo prejuízo causado pela perda da comunicação. Nas página do POPULAR no Facebook, 253 usuários reclamaram do problema, entre a tarde de terça-feira e ontem, em um post que questionava se a “sua operadora de telefonia móvel havia deixado o usuário na mão”. Os comentário relatavam incômodos, prejuízos e dificuldades dos usuários pela falta de sinal e comunicação em seus celulares. Sem explicações A TIM, que tem mais de 1,6 milhão de usuários no Estado e ficou por mais de 40 horas com problemas na comunicação – o maior tempo de interrupção –, informou, por meio de nota, que equipes técnicas da operadora e do fornecedor do equipamento atuaram para restabelecer todo o sistema e descobrir a causa da paralisação do sinal. A operadora se resumiu a explicar que a falha decorre de problemas em uma das centrais da empresa. Maiores esclarecimentos sobre qual central da empresa foi acometida pela falha, porém, não foram fornecidas. A TIM reconheceu que seus clientes em Goiás tiveram dificuldades para utilizar os serviços de voz e dados na terça-feira e início da madrugada de ontem. No início da tarde, o tráfego de dados foi normalizado, mas persistiram os problemas de ligações de linhas da TIM para outras operadoras. Por volta das 18 horas, a operadora informou que seus serviços de voz e dados haviam sido “ restabelecidos, após a atuação das equipes técnicas da TIM e do fornecedor”. A Claro, que tem 3,6 milhões de clientes em Goiás e é líder de mercado em Goiás, afirmou, por meio de sua assessoria, que houve instabilidade na rede 3G e que o maior problema foi sentido em Goiânia. A empresa justificou que a falha, de segunda-feira, está sob análise de técnicos. A empresa, no entanto, não forneceu maiores detalhes sobre a causa do problema. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) disse que ainda está avaliando as causas técnicas do apagão em Goiás para tomar uma medida reparadora. Conforme nota, a agência já foi informada pelo Procon-GO sobre a ocorrência do problema e aguarda uma explicação das operadoras responsáveis pela interrupção do sinal para se posicionar sobre o assunto. A Anatel, diz a nota, não descarta a possibilidade de aplicar medida cautelar, caso seja confirmada má qualidade do serviço ou de atendimento das operadoras no Estado. Isso significa que a agência reguladora pode suspender a oferta de novas linhas das operadores até que o reparo seja efetuado. A agência ressalta que tal medida poderá ser tomada após a abertura de um processo administrativo, para avaliar a origem e causa do problema, que garante ampla defesa às operadoras. As penalidades aplicadas podem ser ainda multas ou advertência. A decisão será publicada no Diário Oficial da União.-Imagem (Image_1.328371)-Imagem (Image_1.328373)