O novo Desenrola chega com a proposta de aliviar a pressão sobre o orçamento de famílias endividadas, mas especialistas apontam que, se tratados como uma estratégia isolada, programas de renegociação não são garantia de tirar os brasileiros das dívidas de forma duradoura. Com descontos de até 90% sobre dívidas bancárias, o programa é voltado para inadimplentes com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105). Economistas e planejadores financeiros ouvidos pela reportagem afirmam que o retorno ao endividamento costuma estar ligado não apenas aos juros elevados, mas também à dependência crescente do crédito para pagar despesas do dia a dia e à falta de reorganização financeira após os acordos. Renegociar uma dívida sem mudar a dinâmica financeira que levou ao endividamento é como esvaziar um barco com um balde sem tampar o furo. O alívio imediato até existe, mas a água continua entrando", afirma a especialista em finanças pessoais Carol Stange.