Geradores, comercializadores e clientes que atuam no mercado livre de energia já têm sentido os primeiros efeitos do El Niño no Brasil. O aumento das chuvas no Sul e a piora das expectativas sobre a gravidade do fenômeno mexeram com os preços dos contratos de fornecimento nas últimas semanas. Dados da BBCE (Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia) obtidos pela Folha mostram que os preços no mercado de curto prazo —agosto e setembro— chegaram a cair 44% em relação ao que era praticado no fim de maio. Já os contratos com entrega a partir de 2027 reagiram no sentido oposto e tiveram valorização na casa de 1%. Ainda que essa alta seja modesta, o padrão de flutuação dos preços chamou a atenção de especialistas. Segundo eles, é raro ver os mercados de curto e longo prazos andarem em direções distintas. Essa "torção de curva" (uma para cima, outra para baixo) pode indicar um receio dos agentes sobre os efeitos que o El Niño terá na geração futura de energia.