Empresários goianos estão apreensivos com as mudanças propostas para a política de mineração do País. Eles acusam o governo de ter paralisado a concessão de alvarás para pesquisas e de portarias de lavras para a produção mineral no País, numa manobra para que os projetos só sejam liberados após a aprovação do novo marco regulatório, que vai substituir a legislação atual, em vigor desde 1967. O assunto foi discutido ontem em Goiânia, durante o Ciclo de Debates Mineração e Desenvolvimento, promovido pela Federação das Indústrias de Goiás (Fieg). Segundo o vice-presidente da Câmara Setorial de Mineração da Fieg, Luiz Vessani, só em Goiás, mais de 5 mil portarias de lavras estão paradas à espera de avaliação do Ministério das Minas e Energias. O mais significativo deles é o da Yamana Gold, para extração de ouro na cidade de Pilar de Goiás. “São mais de R$ 300 milhões investidos no projeto, com indústria toda montada e que está parado”, afirma. Para Vessani, as mudanças propostas pelo marco regulatório vão permitir ao governo grande interferência na gestão empresarial o que, para eles, é um passo rumo à estatização do setor.“Vai haver um órgão governamental para selecionar a área de exploração e fazer estudo de viabilidade para decisão de um conselho nacional que vai se reunir só duas vezes por ano. Não vai funcionar”, frisa ele, que destaca o bom desempenho do setor industrial mineral no País.O secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, Cláudio Scliar, esteve ontem no evento e disse que as outorgas de portarias continuam sendo emitidas, mas num ritmo menor desde o ano passado. “É uma orientação do ministério para que haja maior cuidado nos critérios de emissão”, frisou.-Imagem (Image_1.156184)