Para o presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Goiás (Acieg), Rubens Fileti, a reforma tributária ainda é um ponto de interrogação e muitos problemas devem acontecer nos próximos meses. Segundo ele, as empresas estão gastando muito dinheiro com assessoria e as micro e pequenas estão totalmente desassistidas. “Apesar de algumas instituições, como o Sebrae, Acieg e outras estarem apoiando com assessoria tributária, quase todo mundo ainda está muito perdido sobre o que vai acontecer. Não tem uma regra muito clara”, avalia. Outro ponto importante é a mudança na distribuição de lucro pelas empresas, o que deve trazer transtornos e aumentar o custo. “Os contadores não estão fazendo isso de graça, pois não faz parte do movimento mensal. Isso gera um encarecimento do custo Brasil”, adverte. Há uma liminar que determina a prorrogação até o final de janeiro, mas a Receita já alertou que ela pode cair. Por isso, os empresários estão prevendo um alto custo com a insegurança jurídica neste ano de 2026, um ponto de interrogação muito perigoso. “Isso está sendo está sendo muito discutido e temos um conselho temático sobre a reforma tributária para apoiar os empresários” informa Fileti. Segundo ele, essa é uma grande preocupação para 2026, pois o ano deve ser tumultuado, com três pilares que formam a tempestade perfeita: reforma tributária, Copa do Mundo e eleições. “A interlocução, internacionalização e atração de investimentos podem ser atrapalhadas por essas variáveis e estamos com o radar super ligado e o sinal vermelho”, completa.O empresário José Paulo Loureiro, proprietário da Econ Investimentos, lembra que o que foi pensado para o Brasil durante muitos anos foi a simplificação dos impostos para obter uma redução do percentual de tributação, que é um dos mais altos, se não o mais alto do mundo. Mas, segundo ele, o que se consegue enxergar, a princípio, porque ainda podem ser feitas modificações nas leis complementares e em outras votações que ficaram para o futuro, é que não houve a simplificação que tanto se esperava. Para ele, o sistema ainda é muito complicado e cheio de regras, inclusive com distribuições entre estados e municípios, que será feita por um comitê, ou seja, não se sabe se vai haver justiça ou não nessa repartição. Outra questão é a carga tributária. “A tributação, no caso de prestadores de serviços, médicos, advogados, contadores, consultores e outros, deve aumentar”, adverte. Ele lembra que, dentro dessa nova sistemática para alimentar outros polos, houve a aprovação de um aumento da tributação sobre lucros de dividendos que já são pagos. “O imposto de renda já é pago na hora que a empresa tem uma carga tributária sobre lucro de quase 40%, dinheiro de onde o proprietário tira uma parte para pagar suas despesas. É lucro da empresa, um pedaço do bônus sobre a conquista de trabalho de todo ano, ou seja, praticamente 40% dessa fatia de todo lucro fica com o governo”, explica. O que é retirado, como lucro da empresa, novamente será tributado em mais 10% do ganho.