Com entrega de propostas já realizadas, aumentou nos últimos dias a expectativa do mercado para que seja anunciada a venda da concessão da Enel Distribuição Goiás. Informações de fontes ligadas diretamente ao processo revelam que empresas brasileiras têm interesse na compra da antiga Celg-D, que foi privatizada em 2017, enquanto estrangeiras teriam declinado da tentativa de compra. Uma das prováveis interessadas já estaria inclusive com negociação mais avançada e o desenrolar pode ocorrer nas próximas semanas. Porém, oficialmente, não há confirmação sobre a possível venda. Com avaliação que chega a R$10 bilhões, a Enel estaria no radar das brasileiras Equatorial e Energisa, o que é apontado inclusive por relatório divulgado nesta semana pelo Bank of America (BofA). Analistas da instituição consideram as duas companhias como as mais prováveis candidatas, o que leva em consideração o fato de que adquiriram recentemente ativos de distribuição. A Equatorial, por exemplo, possui inclusive como diretor de expansão do sistema de distribuição do grupo um ex-funcionário da Enel que atuava no mesmo ramo na distribuidora goiana até março deste ano. Procurada, a Equatorial não retornou os questionamentos da reportagem sobre o interesse na compra. A Energisa informou que não comenta operações e possíveis interesses em ativos. Pela análise do BofA, as companhias devem propor redução nas perdas de energia e de despesas operacionais, o que pode modificar o valor previsto inicialmente para poder viabilizar o negócio. RiscosRiscos apontados pelo mercado, como passivos e pressão do poder público por resultados melhores, podem ter afastado o interesse das estrangeiras State Grid – chinesa que inclusive havia participado de etapas avançadas da privatização da Celg-D em 2017 – e EPD, portuguesa que arrematou por R$1,977 bilhão a Celg Transmissão (Celg T), que era um braço da Celg D, em outubro do ano passado. Relatório do BofA aponta como um problema litígios que podem somar passivos de R$ 5 bilhões. Uma herança em boa parte da época em que a empresa era estatal. Outro ponto que fez o cenário mudar pouco diz respeito à qualidade do serviço prestado, pois a empresa segue entre as piores do País no ranking da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Mesmo com investimentos bilionários, a companhia tem sido pressionada a avançar na qualidade do serviço prestado aos goianos sob o risco de perder a concessão. Críticas do governo de Ronaldo Caiado (UB) também são levadas em consideração diante da pressão por mudança nesse cenário, que é tido como complexo inclusive pela extensão da rede de distribuição no estado. Para a reportagem, a EDP afirmou que não comenta "especulações de mercado” e a State Grid não enviou um retorno sobre o caso. Outra empresa que também é apontada como possível interessada é a Neoenergia. Brasileira, a companhia estava na lista das que haviam declinado, mas voltou a ser citada nos bastidores. Ao POPULAR, afirmou que não comenta possíveis investimentos futuros. Leia também:-Resultado da Enel é "muito insatisfatório" para plano de melhorias em Goiás, diz Aneel -Queda de energia provocada por pipas atingiu 45 mil goianos este ano, diz Enel Goiás-Caiado diz não admitir que Enel negocie venda de concessão sem “transparência”Enel Sobre a possibilidade de venda, a Enel Distribuição Goiás informou que não comenta. Mas disse por nota que, de 2017 a 2021, investiu R$5,7 bilhões no sistema elétrico de Goiás, média de mais de R$1 bilhão por ano, contra uma média conhecida de menos de R$ 200 milhões do período em que a Celg era estatal. “Foram construídas e reformadas cerca de 120 subestações de energia, construídos 17 mil quilômetros de novas redes de baixa, média e alta tensão, além de um trabalho de manutenção que já trouxe resultados sobre a qualidade do serviço prestado aos clientes no Estado. O índice de frequência das interrupções de energia (FEC) segue melhor do que o estabelecido pela Aneel para 2022.” Porém, o principal desafio da empresa é a média de interrupções (DEC). O que a distribuidora ressalta que conseguiu melhorar em cerca de 40% isso se considerar dezembro de 2017, tendo passado de 31,7 horas para 18,20 horas. Sendo que assumiu em fevereiro daquele ano a Celg D. “Com as ações de manutenção em andamento, a companhia tem trabalhado para manter a evolução contínua desse indicador”, ressalta por nota.ConfidencialidadeEnquanto a venda da Enel Goiás ainda não é informada oficialmente, ainda há críticas do poder público de que o processo não ocorre de forma a permitir que o consumidor saiba o que de fato está acontecendo. O deputado federal Elias Vaz (PSB), que promoveu audiência pública sobre o assunto na Câmara dos Deputados, explica que mesmo depois de pedir informações a falta de transparência continua. “Não é um patrimônio deles, é uma concessão pública e queremos ter direito de saber quem vai adquirir. O que tem prevalecido é preocupante”, pontua o político sobre o sigilo de mercado. Conheça as empresas que podem ter interesse na distribuidora goiana:- EnergisaCom mais de 100 anos,foi uma das primeiras empresas a abrir capital no Brasil. Controla 11 distribuidoras, atua em Minas Gerais, Paraíba, Rio de Janeiro, Sergipe, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, São Paulo, Paraná, Rondônia e Acre. - EquatorialBrasileira, Equatorial Energia é uma holding multi-utilities, com atuação na distribuição nos estados do Maranhão, Pará, Piauí, Alagoas, Rio Grande do Sul e Amapá. Também atua na transmissão, geração e até em saneamento. - EDP Presente há mais de 25 anos no País, a EDP tem negócios em geração, transmissão – arrematou recentemente a Celg T – e soluções em serviços de energia voltados ao mercado B2B, como geração solar.- State Grid Chinesa tem operações em vários países e regiões, como Austrália, Filipinas, Geórgia, Grécia, Hong Kong, Itália, Portugal e Brasil. Está no mercado brasileiro desde 2010 e teve interesse pela Celg-D na época da privatização, em 2016.- NeoenergiaHá mais de 20 anos no Brasil, a empresa iniciou no segmento de distribuição na Bahia e no Rio Grande do Norte. Hoje está também nos mercados de geração, transmissão e comercialização de energia em 18 estados e no Distrito Federal.