O professor de Relações Internacionais da PUC Goiás, Leandro Bernardes Borges, alerta que existem efeitos diretos e indiretos do conflito. “Se houver uma escalada com uma amplitude geográfica, envolvendo outros países do Oriente Médio, podemos ter muitos impactos para Goiás e o Brasil”, alerta. Ele lembra que o estado é um grande produtor e exportador de milho e o Irã é um dos maiores compradores. Somente essa queda na demanda já é suficiente para impactar a economia do estado. “Outro impacto é que nossa relação com Irã é assimétrica, ou seja, vendemos mais do que compramos deles. Porém, compramos muitos fertilizantes, especialmente ureia, que é um produto essencial para a agricultura em um estado que tem neste setor um de seus principais pilares econômicos, o que afeta nossa competitividade global”, ressalta o professor. Para ele, a interrupção da navegação no estreito de Ormuz é outro ponto sensível, ao interromper o fluxo comercial. “Pelo estreito, passam 20% de todo petróleo e do gás natural que abastecem o mundo, e o bloqueio eleva o preço do gás, da gasolina e do diesel”, destaca. O problema é que as cadeias logísticas dependem de combustível para funcionar e, em algum momento, isso acaba se refletindo nos preços dos produtos nas gôndolas para o consumidor, gerando inflação e podendo até se refletir na expectativa de queda dos juros em 2026.