Goiás perdeu 6.163 postos de trabalho formais em novembro e teve o segundo pior desempenho em emprego do País, atrás apenas de São Paulo, onde foram fechadas 17.611 vagas no mês. O resultado ruim, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), foi causado por aspectos sazonais da produção, como o fim da colheita de cana-de-açúcar e do plantio de soja, além da desaceleração na indústria e construção civil no fim do ano. Porém, os números também já podem refletir a vigência da reforma trabalhista.Mesmo assim, o Estado ainda comemora um saldo (admissões menos contratações) positivo de 39.319 vagas de emprego criadas no ano. Em todo o País, foram fechados 12.292 postos de trabalho em novembro, principalmente na indústria de transformação e construção civil. Para o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, que se demitiu ontem alegando que será candidato à reeleição como deputado federal, esse saldo negativo não significa uma interrupção do processo de retomada do crescimento econômico. “A esta altura do ano, todas as encomendas já foram atendidas e a Indústria começa a demitir.”Em Goiás, o pior desempenho no mês ficou com o setor agropecuário, que fechou 2.765 postos de trabalho. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado, José Mário Schreiner, explica que esse é um comportamento sazonal, resultado da queda no plantio da safra de grãos e do término da colheita de cana. “Mesmo assim, ainda estamos com um saldo positivo de 6,9 mil vagas no ano.”O segundo pior desempenho no Estado ficou com a indústria de transformação, que demitiu 2.725 mais trabalhadores do que contratou em novembro. O coordenador técnico da Federação das Indústrias do Estado, Welington da Silva Vieira, também atribui o resultado negativo a aspectos sazonais. Segundo ele, a indústria reduz seu ritmo de produção no fim do ano. “Uma recuperação, com novas contratações, deve acontecer só em fevereiro de 2018”, avisa.A construção civil registrou o terceiro maior volume de empregos perdidos em novembro e fechou o mês com um saldo negativo de 1.580 vagas perdidas. O desempenho ruim é resultado da desaceleração do setor no início do período chuvoso, quando algumas obras são paralisadas. O melhor resultado do mês foi registrado pelo comércio, que abriu 1.584 postos de trabalho para atender o aumento das vendas de fim de ano.ReformaEnquanto Aparecida de Goiânia gerou 4.306 novos empregos, Inhumas fechou 1.020 postos de trabalho, principalmente com o fim da colheita de cana-de-açúcar. O segundo pior resultado do Estado foi o de Cristalina, onde as demissões superaram as contratações em 1.005 contratos de trabalho.De acordo com o Ministério do Trabalho, com as mudanças na legislação trabalhista, o Brasil tem potencial para gerar 2 milhões de novas vagas nos próximos dois anos em novas modalidades, como os contratos de trabalho intermitente, em tempo parcial e o teletrabalho. Porém, o assunto ainda gera muita polêmica. O setor de serviços registrou um saldo negativo de 382 postos de trabalho fechados no Estado, o que pode ter relação com a reforma trabalhista.Recentemente, o grupo educacional Estácio de Sá anunciou a demissão de 1,2 mil professores no País. A conclusão geral foi de que a empresa já quer se valer dos novos parâmetros permitidos pela reforma trabalhista para fazer contratações com custos menores. Esta semana, a Justiça do Trabalho determinou, em caráter liminar, que 30 professores demitidos Estácio de Sá retornem imediatamente ao trabalho, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. De acordo com o Caged, em todo País, o setor de ensino fechou 5.717 vagas de trabalho em novembro. O diretor de Finanças do Sindicato dos Professores de Goiás (Sinpro), Alan Francisco de Carvalho, conta que só em Goiás foram 26 professores demitidos. “Porém, nem todas as rescisões ocorreram no sindicato, outro reflexo da reforma, que permite que o acerto seja feito dentro da própria empresa, o que deixa o trabalhador mais desprotegido”, explica. Segundo Alan, outras instituições de ensino do Estado também já estariam seguindo o mesmo caminho da Estácio. Ele também acredita que o objetivo da instituição seja a adoção de um regime de contratação mais flexível, como a jornada intermitente ou a pessoa jurídica, o que acaba com os direitos trabalhistas dos professores. “Na verdade, não são contratos flexíveis, mas precários para o trabalhador. Claramente, a demissões estão relacionadas à reforma”, acredita o sindicalista.Para a advogada trabalhista Carla Zannini, presidente do Instituto Goiano de Direito do Trabalho, a lei está sendo interpretada de maneira errada por muitas empresas. Ela lembra que, logo após a aprovação da reforma, saiu a regulamentação, que proíbe a recontratação do trabalhador demitido por um período de 18 meses. “A lei não pode ser olhada de maneira fria, pois as próprias empresas podem ter muitos problemas com isso”.Carla acredita que a legislação pode até favorecer ambas as partes (trabalhadores e empresas), desde que todos decidam agira de boa fé. “Não dá para demitir e recontratar como autônomo porque o Artigo 3º da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), que estabelece as características dos empregados, não foi revogado”, alerta a advogada. O autônomo não pode, por exemplo, exercer um trabalho com subordinação. -Imagem (1.1427133)