A Superintendência Regional do Trabalho de São Paulo (SRT-SP) autuou, nesta semana, a empresa Rapiddo, do Grupo Movile, responsável pelo controle de marcas como iFood e Spoonrocket, que utilizam plataformas tecnológicas de serviços sob demanda via aplicativos de smartphones.De acordo com a assessoria de imprensa do Ministério do Trabalho, auditores-fiscais encontraram irregularidades como a falta de registro na carteira profissional dos motociclistas e a ausência de recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). A empresa ocultava a relação de emprego com motoboys e motofretistas ao defender que se tratava de um aplicativo de smartphone para facilitar a captação de clientes. A Rapiddo também foi responsabilizada pela falta de cuidados com a saúde e segurança no ambiente de trabalho. “Em todos os pontos visitados encontramos profissionais na rua, em alguns casos tomando chuva. Nem é preciso nos esforçarmos para imaginar os efeitos danosos à saúde. Alguns deles trabalham por 10 ou 12 horas”, conta o auditor-fiscal Sérgio Aoki.O comportamento da empresa foi observado durante um ano e 675 trabalhadores foram analisados. Os auditores destacaram ainda o fato de que, na maioria dos casos, é o próprio trabalhador que arca com custos como combustível e manutenção da motocicleta, além do tempo ocioso entre os acionamentos. A evasão fiscal advinda deste modelo de negócios, que culminou com o fechamento de várias empresas de motofrete no mercado, também é ressaltada pelo profissional. "Além de o trabalhador suportar todo o risco da atividade empresarial, o que leva a um ganho enorme de competitividade dentro do mercado tradicional, outro ponto a ser destacado são os recolhimentos tributários, que incidem somente sobre parcela do valor do frete. Isso leva a um recolhimento menor de ISS pelo município. Mas não só isso, há também o fato do trabalhador não ser reconhecido como empregado, o que leva a um rombo gigantesco das contas previdenciárias, uma vez que não há recolhimentos de encargos pela empresa e em contrapartida esta é beneficiária de mão de obra que historicamente tem alto índice de acidentes e de afastamentos", relata Aoki.A fiscalização expedirá ofícios ao município de São Paulo e à Receita Federal para a apuração de eventuais valores de ISS e de encargos sociais não recolhidos. Somados, os valores de multas pelas autuações e do FGTS chegam a R$ 1 milhão.