A recente realização do MotoGP, em Goiânia, impactou o mercado de motos premium. As revendas do ramo registraram um crescimento de até 17% nas vendas do primeiro trimestre, em relação ao mesmo período do ano passado. A expectativa é que este movimento continue nos próximos anos, pois o evento recolocou Goiânia no calendário mundial do motociclismo e deve ajudar a projetar a região como um dos principais polos do setor no País.Com a realização do MotoGP, Frederico Xavier Guedes, diretor de Marca do Grupo Saga, conta que observou um crescimento de cerca de 17% no volume de vendas no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior. Para ele, isso reforça a consistência e o potencial do segmento de motos premium na região. O Grupo Saga encerrou o mês com metas superadas em até 160%.“A realização do evento em Goiânia teve um papel importante nesse contexto ao ampliar a visibilidade do motociclismo e fortalecer a conexão do público com o universo das duas rodas”, avalia Guedes. Mais do que um impacto direto e imediato nas vendas, ele acredita que o evento contribuiu para gerar interesse, engajamento e valorização das marcas premium, especialmente em uma região que já possui forte afinidade com esse estilo de vida.Atualmente, o grupo trabalha com um portfólio de mais de 40 modelos no segmento de motos premium, entre as marcas representadas. Só na BMW Motorrad, por exemplo, são cerca de 15 modelos disponíveis no Brasil, abrangendo categorias como adventure, touring, esportivas e urbanas. Já a Triumph possui cerca de oito modelos principais na linha atual, com diversas variações, enquanto Harley-Davidson e KTM ampliam esse portfólio com opções voltadas para lifestyle e motos de alta performance.Para o diretor do Grupo Saga, a realização do evento nos próximos anos deve continuar tendo um impacto relevante no mercado de motos premium. Isso porque o evento recolocou Goiânia e o Brasil no calendário mundial do motociclismo, após mais de duas décadas, além de projetar a região como um dos principais polos do setor no País. “Mais do que o impacto pontual, o MotoGP gera um efeito estrutural: amplia o interesse do público, fortalece a cultura do motociclismo e aproxima novos consumidores desse universo”, ressalta. O grande volume de público e a movimentação econômica gerada pelo evento reforçam esse potencial de crescimento contínuo. “A tendência é que, com a continuidade do evento, haja uma consolidação desse movimento, impulsionando não apenas a visibilidade das marcas, mas também o desenvolvimento do mercado de motos premium no Centro-Oeste, em uma região que já possui forte afinidade com experiências e lifestyle ligados à estrada”, prevê Guedes.Para a gerente da Harley-Davidson em Goiânia, Amanda Gonçalves, esse movimento tende a se refletir não apenas no curto prazo, mas também na consolidação do mercado ao longo do ano, com um público cada vez mais próximo e interessado em experiências ligadas ao motociclismo. “Não houve clientes que compraram especificamente para ir ao evento, mas inspirados por este acabaram realizando a compra, ou se tornaram futuras negociações”, explica.Em relação aos preços, o gerente da BMW Motorrad em Goiânia, Augusto Carmo, lembra que o segmento premium tem grande amplitude: há modelos de entrada a partir de cerca de R$ 30 mil a R$ 40 mil, principalmente nas linhas de menor cilindrada da Triumph e BMW, chegando a motocicletas acima de R$ 200 mil, especialmente em modelos touring e custom de alto padrão. No caso da Harley-Davidson, por exemplo, a média de preços gira em torno de R$ 200 mil, podendo ultrapassar esse valor dependendo do modelo.Jonathan Ferreira, gerente da Triumph em Goiânia, informa que, entre os modelos mais vendidos, destacam-se motos que equilibram versatilidade, tecnologia e acesso ao público premium, como a BMW G 310 GS, F 900 GS e R 1300 GS, além de modelos da linha Triumph como Speed 400, Scrambler 400X e Tiger 900, que vêm ganhando espaço por oferecerem uma porta de entrada ao segmento com forte apelo de marca e experiência.ExperiênciasO público de motos premium atendido pelo Grupo Saga possui um perfil bastante definido. O gerente da BMW Motorrad informa que, em sua maioria, os clientes são homens entre 30 e 55 anos, com alto poder aquisitivo, incluindo empresários, produtores rurais, executivos e profissionais liberais. “Trata-se de um cliente que não busca a motocicleta como meio de transporte, mas como lazer, experiência e estilo de vida. É um público que valoriza tecnologia, performance, design e, principalmente, a possibilidade de viver experiências como viagens, encontros e eventos ligados ao motociclismo.”Para o gerente da KTM, Leandro Costa, este é um consumidor altamente conectado, que pesquisa bastante antes da compra e tem forte identificação com as marcas, muitas vezes criando vínculos de longo prazo. Segundo ele, independentemente da marca, seja BMW Motorrad, Triumph, KTM ou Harley-Davidson, existe um ponto em comum: a moto representa uma extensão da identidade pessoal e um elemento central no estilo de vida desse cliente.Costa estima que, em média, cerca de 50% a 60% das vendas sejam realizadas à vista, enquanto 40% a 50% ocorrem por meio de financiamento ou consórcio, geralmente com uma entrada significativa, o que reduz o valor financiado. “Isso acontece porque estamos falando de um público com maior poder aquisitivo, que muitas vezes utiliza a moto como bem de lazer e não depende necessariamente de crédito para aquisição.”A gerente da Harley-Davidson em Goiânia observa um comportamento um pouco diferente do mercado geral no segmento de motos premium. De acordo com ela, enquanto no Brasil, o financiamento representa uma parcela relevante das vendas de veículos, com crescimento consistente nos últimos anos, no público de alta cilindrada há uma predominância maior de compras à vista ou com entrada elevada.O empresário Marllon Mascena já tinha uma moto Big Trail, da Ducati, e, recentemente, comprou uma Speed Twin 1.200 da Triunf, no estilo cafe racer. Segundo ele, a diferença entre elas é que a primeira é mais estradeira, para viagens longas, enquanto a última tem um estilo mais retrô, mais estilosa, e é mais usada para passeios curtos. Para Mascena, o MotoGP sempre motiva a realização de networking em duas frentes, ou seja, com pessoas que usam um destes modelos.As motos adquiridas pelo empresário são avaliadas em R$ 92 mil, da Ducanti, e em R$ 75 mil o modelo Triunf. Ele se considera um apaixonado por motos e que, se pudesse, teria uma de cada estilo. “É um hobby para o fim de semana e uma experiência de conexão com a natureza e com Deus. Nelas, tenho meus momentos de prazer de pilotagem. A realização do evento ajudou a ampliar a conexão com amigos”, completa.