A pressão por uma estética considerada de padrão ideal é um dos principais motores que movimentam os mercados de moda e beleza. A especialista em Moda e Neurociência Comportamental Lorena Cantanhede lembra que, durante a pandemia, as pessoas estavam aceitando mais seus corpos reais, por estarem sem uma vida social ativa. Mas ela adverte que a moda nunca foi concebida com a força desta “estética maior”. Segundo ela, as canetas vieram para ratificar o que a moda já tinha como base: esta estética mais esguia. Mas Cantanhede vê toda essa corrida por emagrecimento como uma tendência, que terá uma certa duração. “Dentro da base neurocientífica, o consumidor quer se aproximar mais do que é real para ele. As canetas geraram uma necessidade de pertencimento a este perfil”, alerta. Além do benefício físico, ela acredita que quem utiliza também consegue mostrar que tem um bom poder aquisitivo, suficiente para o alto investimento, ainda inacessível à maioria da população. “Tem várias nuances sociais, econômicas e comportamentais e a moda faz parte de uma delas. A pessoa se sente pertencente a este grupo, tanto com um corpo mais definido e uma ‘melhor’ estética, quanto em relação ao status financeiro”, acredita a especialista.