O microempresário Rogério Evangelista Mendonça, de 28 anos, desenvolveu um software para gerenciamento de condomínios, montou sua empresa e hoje enfrenta os desafios de gerir seu negócio. Do outro lado da cidade, a estudante Ana Flávia Marinho, de 21anos, estuda o mercado para investir no ramo de serviços ou comércio, mas tem dúvidas sobre como viabilizar o projeto. As histórias de Rogério e Ana Flávia não se cruzam, mas mostram as dificuldades que os novos empresários enfrentam em gerir ou abrir a primeira empresa. Para diminuir a incidência de problemas como estes, o governo lança hoje o programa Minha Primeira Empresa, com o objetivo de fomentar a capacitação empresarial. As metas do programa são altas: contribuir para a criação de pelo menos 800 empresas, gerando mais de 3 mil empregos diretos e indiretos, num período de um ano, em todo o Estado. O recurso para gerir o programa está previsto em R$ 2,2 milhões. A ideia é dar oportunidade e competitividade às novas empresas, para movimentar a economia goiana. O projeto será gerido pela Secretaria da Indústria e Comércio (SIC) e pela Associação de Jovens Empreendedores e Empresários de Goiás (AJE). O titular da SIC, Alexandre Baldy, afirma que o programa é pioneiro no País por formar novas empresas e empresários, além de acompanhá-los durante todo o primeiro ano de vida. “No Brasil existem cursos de qualificação, mas não de capacitação de jovens empreendedor com um acompanhamento de perto, principalmente, no primeiro ano de vida, quando a mortalidade das empresas é alta. Nosso projeto já despertou o interesse de outros oito Estados. Acreditamos em resultados positivos”, afirma. O lançamento do programa ocorre às 15 horas de hoje, durante solenidade que será realizada no auditório Mauro Borges, no Palácio Pedro Ludovico Teixeira, em Goiânia, com a participação de autoridades estaduais e empresários de diferentes ramos. Processo O coordenador do projeto, Rafael Lousa, diz que as inscrições podem ser feitas a partir de hoje para aulas que começam em agosto. Serão 40 grupos de empreendedores com até cem participantes de Goiânia e outras dez cidades polos goianas. “O projeto foi pensado desde o início para oferecer, além da capacitação, ferramentas de competitividade e sustentabilidade aos novos negócios”, diz. Os inscritos vão cursar um módulo de Iniciação ao Empreendedorismo, de 12 horas-aula expositiva (três dias), onde vão aprenderatributos do mundo empresarial. Depois desta etapa, passarão por um diagnóstico psicológico do perfil do empreendedor, que vai indicar o se perfil empresarial. “Pretendemos detectar pontos de relevância da personalidade empreendedora. O resultado deste teste, junto com a conclusão do curso de iniciação, serão requisitos para o curso de Gestão da Primeira Empresa e Plano de Negócios”, diz a presidente da AJE, Cybelle Bretas. Nas aulas de Gestão da Primeira Empresa e Plano de Negócios, com duração de nove dias, os inscritos vão aprender sobre conceitos empresariais, na área de marketing, vendas, administração, estoque e finanças, além de outras dez temáticas relevantes ao mundo empresarial. Cumprida esta etapa, será a vez de colocar as mãos na massa. Os inscritos vão partir para a criação da primeira empresa, com assessoramento técnico da Junta Comercial do Estado (Juceg) e do Conselho Regional de Contabilidade. Ou seja, a nova empresa vai nascer oficialmente. O superintendente de Microempresas da SIC, Thiago Peixoto, explica que nesta etapa os participantes vão conhecer as modalidades de empréstimos a juros subsidiados de 0,25% ao mês, que equivale a 3% ao ano, como já acontece com outro programa da SIC, como o Crédito Produtivo, que estimula a saída de empresas da informalidade. Alexandre Baldy ressalta que, após a conclusão do curso, os novos empresários terão acompanhamento, palestras e atividade de forma continuada e gratuita. “O acompanhamento será de forma trimestral. Nosso objetivo é cuidar para que estas empresas se mantenham fortes, gerando emprego e renda”, diz. Contexto Minha Primeira Empresa é uma antiga reivindicação da Associação de Jovens Empreededores e Empresários de Goiás (AJE). Há pelo menos cinco anos a entidade tenta emplacar uma parceria junto a representantes do poder público, mas sem êxito. Durante a campanha eleitoral em 2010, o então candidato Marconi Perillo (PSDB) assinou um compromisso junto à direção da AJE se comprometeu a executar o programa, caso fosse eleito. “É uma parceria que está sendo confirmada”, diz a presidente da entidade, Cybelle Bretas.-Imagem (Image_1.355988)-Imagem (Image_1.355996)