Os empresários que têm contratos de financiamento com o Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO) e aguardam a liberação de recursos vivem um período de muita incerteza. As parcelas de recursos para os financiamentos empresariais pararam de ser liberadas e muitos projetos já em andamento correm o risco de serem interrompidos, pois não há perspectiva de novas liberações. Nos três primeiros meses de 2013, foram aprovados 6.789 contratos em Goiás, num total de R$ 855,9 milhões, praticamente todo montante já previsto para este ano. Hoje, segundo o secretário de Indústria e Comércio de Goiás, Alexandre Baldy, mais de 100 projetos já aprovados aguardam recursos, o que representa uma demanda reprimida de R$ 250 milhões. O pequeno empresário Adriano Pacheco Antonielli, proprietário de um hotel com 32 apartamentos em Itumbiara, assinou contrato de financiamento de R$ 1,23 milhão com o FCO para construir mais 36 apartamentos e atender uma demanda reprimida de leitos no município. Ele contratou uma empresa prestadora do serviço de construção civil, no valor de R$ 400 mil, e comprou 200 toneladas de vigas e colunas para a estrutura metálica. Adriano conta que recebeu apenas a primeira parcela de R$ 160 mil. Como a segunda parcela de R$ 130 mil não foi liberada, ele precisou recorrer a um empréstimo de R$ 100 mil num banco privado, pagando juros de 1,6% ao mês, para saldar uma duplicata que previa juros de R$ 150 ao dia. Ontem, ao saber que não há previsão para a retomada dos repasses, o empresário disse que estremeceu. “O contrato com a construtora prevê multa de 1% por dia de atraso e de 20% em caso de rescisão”, conta. Ele conta que só recorreu ao FCO porque acreditou na seriedade do financiamento público, pois não tinha recursos próprios. “Acreditei que esse contrato assinado seria cumprido. Agora, meu patrimônio está ameaçado. Assinar contrato sem recursos garantidos é iludir o investidor”, reclama Adriano. Sem dinheiro Ontem, durante reunião do Conselho de Desenvolvimento do Estado (CDE/FCO), na sede da Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA), no Parque Agropecuário de Goiânia, o secretário Alexandre Baldy, que também preside o CDE/FCO, afirmou que ainda não há perspectiva da liberação de mais recursos para os contratos empresariais este ano. Já as liberações para financiamentos rurais, que também estão suspensas, devem ser retomadas em junho. O secretário garantiu que o Conselho parou de aprovar cartas-consulta empresariais há dois meses por falta de recursos. Ele conta que, hoje, se reunirá com o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, e com a senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) para tratar da liberação de mais R$ 1,2 bilhão para Goiás. “O governador Marconi Perillo também já enviou ofício ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, pedindo a equalização de recursos para o FCO.” Os projetos estruturantes, com valores acima de R$ 50 milhões, deverão contar com recursos do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Baldy explica que, como o FCO tem recursos constitucionais, a deliberação de mais dinheiro é exclusiva do Ministério da Fazenda e Tesouro Nacional. “Só no primeiro trimestre, Goiás já aplicou 48% de todos os recursos contratados no Centro-Oeste e 50% mais que no ano passado”, destaca. Empresas como a Mitsubishi, Laboratório Teuto e Pousada do Rio Quente aguardam a liberação de recursos do FCO. Esses e tantos outros investimentos agora dependem da boa vontade do governo federal para liberar suplementações, assim como ocorreu no ano passado, quando Goiás aplicou R$ 1,8 bilhão. “Será um ano desafiador. Estamos mobilizados para conseguir o que for possível”, garantiu o secretário. Planejamento Mas a expectativa não é boa. Ontem, durante a reunião, mais 65 cartas-consulta de investimentos rurais foram aprovadas. Alguns membros do conselho se abstiveram da votação por causa da falta de recursos. “Não podemos vender mais esperança para empresários e produtores. Aprovamos 200 cartas e só 10% delas tiveram os recursos liberados”, protestou o economista Júlio Paschoal. O assessor da presidência da Federação do Comércio de Goiás (Fecomércio-GO), Ibraim Almeida Coelho, manifestou preocupação com os contratos que já tiveram recursos liberados e estão em andamento, já que esses empreendedores poderão ter sérios prejuízos financeiros.-Imagem (Image_1.327855)