Com a retração do número de lançamentos imobiliários nos últimos anos e o recente corte no orçamento do Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), está sobrando profissionais como pedreiros, carpinteiros e armador no mercado goiano. O reflexo é que o valor das diárias dos trabalhadores está estacionado há cerca de um ano e, de quebra, o empregador está com maior poder de barganha.O segmento da construção civil esteve em alta entre os anos de 2010 e 2012, quando faltou mão de obra especializada no mercado. Na ocasião, as salas dos cursos oferecidos no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) ficaram lotadas de profissionais de outras áreas em busca de melhores salários e benefícios oferecidos pelas incorporadoras. “Veio muita gente do setor de panificação”, recorda-se o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), Carlos Alberto Moura. O que atraiu esses profissionais foram os bons salários, aliados aos benefícios (assistência médica, fisioterápica, odontológica e seguro). Iniciantes recebiam R$ 1,3 mil e os mais experientes até R$ 3 mil, além dos benefícios.Ele explica que o setor começou a desacelerar em 2013, imprimindo queda no ritmo de contratações. Com a desconfiança no atual cenário econômico e os cortes do governo federal no MCMV e outros setores da infraestrutura, a estimativa do Sinduscon é que 30% da mão de obra especializada da construção civil não façam mais parte do quadro de funcionários das construtoras.QuedaPara se ter ideia, no auge do segmento, em 2010, foram lançadas 12 mil unidades em Goiás. Este ano, a previsão é de 7 mil – redução de 58%. “Hoje existe mais mão de obra no mercado. Muitos estão se associando para criar firmas de reformas e reparos. Está mais fácil negociar o valor”, ressalta.Depois de três anos trabalhando numa incorporadora, o pedreiro José Domingos e outros dez funcionários foram demitidos. “Agora, vou atrás de bicos, por que tenho 20 anos de experiência e não tenho medo de ficar sem trabalho. Mas preferia a carteira assinada”, diz. Segundo Carlos Alberto, do Sinduscon, esse é um movimento comum entre os profissionais que buscam recolocação.Somente em abril, conforme último dado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o segmento desligou 337 funcionários. O agravante é que as demissões ocorreram num período em que, normalmente, em função do início da estiagem, seria o de retomada das obras.DiáriasCom 12 anos de experiência, o mestre de obras Carlos Alves observa um fluxo maior de profissionais no mercado, sobretudo nos últimos 90 dias. Ele calcula que, neste período, semanalmente, passam cerca de dez profissionais procurando emprego nas duas obras que toca. “Isso não era comum”, explica. Entretanto, afirma que não é tão fácil negociar o valor da diária de uma mão de obra que, atualmente, gira em torno de R$ 120 a R$ 150, dependendo do trabalho e tempo de serviço. “O que aconteceu é que há um ano o valor da diária não sobe e como o real desvalorizou não tem como dar desconto.”O bancário Gustavo Lopes de Oliveira finalizou a reforma de sua casa e afirma que não teve dificuldades em contratar mão de obra especializada. “Como tinha indicação, não foi difícil.” E garante que, com dinheiro em mãos, conseguiu diminuir em até 40% o valor total.-Imagem (Image_1.870648)