O jogo virou. Há pouco menos de dois anos, empreendedores não viam outra saída a não ser deixar o Estado para levar a diante uma startup. Em seu próprio conceito, essas empresas trabalham em condições de extrema incerteza, não tem como afirmar que irão realmente dar certo até se provarem sustentáveis. Só que quando amadureciam e precisavam fazer conexões, tinham de migrar ou o negócio morria. Mas essa lógica não é mais uma regra após a vinda de aceleradoras para Goiás. Por aqui, elas têm conseguido destaque até internacional, há incubação, pré-aceleração, aceleração e muitos eventos que dão visibilidade às oportunidades e auxiliam os empreendedores. Com isso, especialistas afirmam que o ecossistema está mais favorável. Não era assim em 2015, quando o goianiense e co-fundador da The Digital Mob, Nathan Soares, imaginou com sua equipe criar uma aplicação web e mobile. Encontrou dificuldades de explorar e expor o potencial criativo. “Nosso projeto era muito early stage (precisava de capital semente), não tínhamos acesso a nenhum investimento para acelerarmos o processo de desenvolvimento e não tínhamos muitas opções de aceleradoras”, lembra. Como saída, criaram protótipo, se inscreveram em aceleradoras nos Estados Unidos, foram aceitos na Founders Space, depois na incubadora Tech Hub, em Londres. Nesta última, ficaram três meses. Em seguida, foram para comunidade do Google Campus. Agora, estão com empresa em Londres que segura várias startups internas e têm projetos para serem lançados nos próximos cinco anos. Isso porque conseguiram no início um investidor anjo, que acreditou no projeto e investiu 12 mil libras esterlinas, cerca de R$ 47 mil. A história do sócio-proprietário da Easy Crédito, Égio Arruda, com a startup que propõe conectar pessoas à serviços bancários foi semelhante. Em 2014, conseguiram aceleração no Rio Grande do Sul e, no ano seguinte, começaram a receber investimentos. Atualmente, estão presentes em todos os Estados brasileiros, com 170 mil usuários cadastrados. “Existia um conceito muito elementar do que era uma startup, poucas ações pelo poder público. Se tivéssemos encontrado mais apoio em Goiânia, estaríamos em uma situação melhor”, pontua ao lembrar que não existiam as aceleradoras. Com a evolução do mercado, reconhece que a inovação regional está mais valorizada do que quando começaram e hoje têm condições de estar no Estado e ampliar em até quatro vezes neste ano o número de transações.Na nova geração de empresas goianas, que vivenciam esse novo momento, está a Resultys, que entrou em programa de aceleração por aqui com R$ 100 mil à disposição, pelo Hub Ace Goiânia, e sem planos de migrar.“Somos da primeira turma das startups aceleradas. Se não existisse por aqui, provavelmente iríamos tentar em São Paulo, que teria um custo mais alto. A ideia correria o risco de morrer sem nascer”, ressalta o sócio Ivan Gonçalves. Ele descreve que o network possibilita conquistar clientes em diversos locais do País, ter espaço físico, mentoria, maior visibilidade e um caminho de mais certezas para trilhar. “Agora de fato o ecossistema está evoluindo.”-Imagem (Image_1.1259121)