Nos últimos três anos, a carreira e a vida do tenista Luis Augusto Queiroz Miguel, o Guto Miguel, se transformaram muito além da mudança de Goiânia para Brasília. No período, a família do tenista goiano de 17 anos construiu uma rede de apoio com diferentes profissionais em torno do atleta, algo que foi fundamental para a evolução do atual campeão júnior de Roland Garros, título conquistado há pouco mais de uma semana.Guto Miguel tem dois treinadores, além de contar em sua equipe com nutricionista, preparador físico, fisioterapeuta e psicólogo. Essa rede de profissionais está na rotina diária e ajuda o tenista a se preparar para treinos, viagens, jogos e evolução no tênis. Todo custo é arcado pela família do atleta, que investiu na construção dessa equipe desde 2023.“É como se fosse uma empresa, entendemos que era necessário montar essa equipe. Tudo é fora do clube (Iate Clube de Brasília). Cada profissional foi selecionado e tem nosso próprio investimento. É uma equipe completa para dar apoio e estrutura ao Guto”, explicou o advogado e empresário Luis Miguel, pai do tenista goiano.A evolução de Guto Miguel não ficou restrita à técnica do tênis. O goiano mudou fisicamente nos últimos três anos, aprendeu sobre a importância de se alimentar da maneira apropriada para um próspero tenista de alto nível, a cuidar do corpo antes, durante e depois de jogos e competições, a se cuidar mentalmente e criar prazer durante a caminhada no esporte.“O talento dele dentro de quadra já chamava muita atenção, mas fisicamente ainda estava longe da estrutura que o tênis de alto rendimento exige. Era um adolescente em fase de crescimento, com excesso de peso para os padrões de um futuro atleta profissional e sem uma compreensão clara de como a alimentação poderia impactar seu desempenho”, contou o nutricionista Henrique Bernardes, de 44 anos, que conheceu e trabalha com o goiano desde 2022.O desafio de Henrique Bernardes foi fazer um garoto com 13 anos entender a importância da nutrição. O profissional ensinou conceitos de nutrição esportiva ao atleta, mostrou como alimentação, recuperação, energia e performance estão conectadas. O nutricionista fez isso dia após dia, conquistando a confiança de Guto Miguel ao ponto de se tornar um parceiro diário do tenista goiano.“Ao longo dos anos, reduzimos gradualmente o consumo de alimentos ultraprocessados e ricos em gordura saturada, aumentamos a qualidade das fontes de carboidrato para sustentar os treinos, melhoramos a ingestão de proteínas para recuperação muscular e trabalhamos a inclusão progressiva de alimentos que favorecem saúde e performance”, explicou Henrique Bernardes sobre as mudanças na alimentação do tenista.Os carboidratos continuam sendo a principal fonte de energia de Guto Miguel para que ele chegue aos jogos com “os estoques energéticos adequados e, durante partidas mais longas, utilizamos géis de carboidrato para ajudar a manter o rendimento físico e mental até os momentos decisivos do jogo”.O tenista faz uso de repositores eletrolíticos para preservar a função muscular, retardar a fadiga e favorecer sua recuperação depois de jogos e torneios.“Hoje o Guto vive uma fase muito importante da carreira: a transição entre o tênis juvenil e o profissional. Nessa etapa, as exigências físicas aumentam significativamente, tanto pelo volume de treinos quanto pela intensidade e duração das partidas. Por isso, além da alimentação que construímos ao longo dos anos, a suplementação passou a ter um papel mais relevante dentro da estratégia nutricional”, acrescentou o nutricionista de Guto Miguel.Fisicamente, Guto Miguel é outra pessoa na comparação entre 2023 e 2026. Adolescente, o goiano conseguiu mudar o porte físico. Ao longo dos anos, a rotina mudou. O tenista faz trabalhos físicos seis vezes por semana quando não está competindo.“O Guto precisa ficar mais móvel, ter melhor mobilidade e flexibilidade para evitar lesões. Nós estamos em constante manutenção do Guto. Os dois pontos são importantes. Ele pode ganhar velocidade. A meta (depois de Roland Garros) é fazer ajustes. Ele está entendendo como impulsiona o corpo com o chão, e isso ajuda a ter mais potência na bola. O Guto tem espaço para evoluir”, comentou o preparador físico Marcelo Prata, de 37 anos, que conhece o tenista goiano desde 2020, fez alguns trabalhos individuais com Guto Miguel nos últimos anos e integra o time do atleta desde setembro do ano passado.“Ele (Guto Miguel) tinha dificuldade de entender sobre a importância da nutrição, passou a se dedicar mais na preparação física. O tênis exige que ele trabalhe essa parte e ele passou a gostar. O psicólogo é importante para algumas chaves na caminhada, o fisioterapeuta ajuda se recuperar e ele tem trabalhado muito para evoluir”, acrescentou o técnico Santos Dumont Guimarães, que é treinador do Guto Miguel ao lado de Kike Grangeiro.A rotina de Guto Miguel em semanas livres de jogos e competições tem treinos na quadra seis vezes por semana em dois períodos. Ele faz trabalhos de preparação física em um dos dois períodos e de fisioterapia ao final de cada dia de treino. O goiano também é atendido regularmente por um psicológico.