Reconhecimento e mais holofote para o tiro esportivo é o que o goiano Renato Portela, de 53 anos, espera com a participação na Olimpíada do Rio. O atirador competirá, hoje, no Complexo de Deodoro, na modalidade skeet, e quer viver intensamente o momento único na carreira. Depois de dominar a modalidade no Brasil há alguns anos, ele chega aos Jogos para tentar o melhor resultado que puder. Avançar à final é difícil, mas já seria histórico. “Seria uma medalha de ouro”, define.Foi do tiro esportivo a primeira medalha do Brasil no Rio, a prata de Felipe Wu na pistola de ar 10 metros. “A medalha dele coloca o tiro em evidência. Existe o preconceito de pessoas que não conhecem o tiro esportivo porque ligam o esporte à violência. É o extremo oposto. Então, a Olimpíada serve para educar, mudar a visão. Se tiro não fosse bom, não teria em parque de diversões o tiro ao alvo”, opina Renato Portela.Para ele, o maior conhecimento sobre a modalidade resulta em mais interesse e possíveis novos praticantes. “É importante a educação para as crianças conhecerem as armas com uma proposta diferente. Só que, até os 18 anos, é proibido uma pessoa entrar em um estande. Como vamos ter a renovação?”, questionou o atleta.Um dos chefes da delegação do tiro esportivo nacional e também atirador da modalidade skeet, Roberth Vieira acredita que a medalha de Felipe Wu poderá desencadear maior conhecimento da modalidade como o que ocorreu com o pentatlo moderno, após o bronze de Yane Marques, em Londres.Renato competirá poucos dias após a morte do tio Bolívar Mireles aos 82 anos, vítima de câncer no pulmão. Foi do tio o maior estímulo para atirar, em caçadas. Quando a caça foi proibida, ele passou a atirar esportivamente em Brasília. Hoje, montou o próprio local de treinos em uma propriedade que tem, em Luziânia.Hoje, a torcida do goiano estará perto, mas Renato já avisou a mulher, Fabíola Portela, e a filha, Mariana Portela, que não vai “poder ficar dando tchauzinho”, pois vai ter de se concentrar. A prova de Renato, que começará às 9h30, contará com o norte-americano Vincent Hancock, atual bicampeão olímpico da modalidade, e o piloto de rali do Catar, Nasser Al-Attiyah, que vai para sua sexta Olimpíada e tem um bronze, em Londres 2012.