O título da Copa Centro-Oeste, conquistado na última quarta-feira (27) em Cariacica (ES) sobre o Rio Branco, garantiu ao Anápolis o alívio da conquista após amargar derrotas em decisões, ânimo para fugir do rebaixamento na Série C, a outra competição que disputa, mais uma decisão pela frente e projeções melhores para a próxima temporada.O título da Copa Centro-Oeste veio após derrota (2 a 1) para o Rio Branco-ES no jogo de volta - na ida, o Galo da Comarca goleou por 3 a 0 em casa. Agora, vem aí nova decisão, contra o vencedor da Copa Norte, no Paysandu. Os dois times decidem a Copa Verde. O cenário será o mesmo para o Anápolis: primeiro jogo em casa, decisão fora.Com o belo troféu (uma espécie de bandeja prateada), as medalhas e um sorriso de alívio estampado no rosto de cada membro do Anápolis, houve comemoração no vestiário, no hotel onde o grupo ficou concentrado, em Vitória (ES), e outra festa na recepção na entrada de Anápolis, com direito à carreata e muita alegria entre os torcedores do clube.A conquista garante ao clube vaga que não tinha na Copa do Brasil de 2027, na qual entrará na 3ª fase e poderá se planejar melhor para disputar a competição nacional e o Goianão.É um novo momento do clube, coincidentemente quando completa 80 anos de fundação - foi criado no dia 1º de maio de 1946 por carroceiros e foi batizado como União Esportiva Operária antes de se chamar Anápolis. O time foi campeão do Interior (1947) e reivindica junto à Federação Goiana de Futebol (FGF) que seja reconhecido como campeão goiano daquele ano, pois também venceu em Goiânia concorrentes de torneios regionais em Goiás.Torcida, dirigentes, funcionários e elencos sofreram muito nos últimos anos. “Foi (título) para tirar aquele grito de campeão que estava entalado na garganta”, resumiu o CEO do Anápolis, Warditon Dutra. O tricolor da Boa Vista se junta ao Goiás (tricampeão em 2000, 2001 e 2002) e ao Cruzeiro como os campeões da Copa Centro-Oeste, que voltou a ser disputada nesta temporada. As lamentações por derrotas nas finais precisam ficar no passado.O Galo da Comarca conteve a alegria de finais perdidas nos últimos 30 anos – vice do Goianão em 1995, 2016 e 2025, além do vice da Série D de 2024. Não poderia passar desta vez, justamente quando o clube comemora 80 anos.“O Anápolis se consolida como o maior clube do interior goiano. Tem história, força e tradição. Nos últimos 20 anos, (clube) passa por um processo de reconstrução e fortalecimento. É um clube com dificuldades financeiras, mas em ascensão”, frisou Warditon Dutra, cujo irmão, o advogado Carlos Dutra, é diretor jurídico do Anápolis. Além disso, o pai deles, Carlos Mineiro, é técnico do time sub-20 que se encontra brigando por vaga à semifinal estadual. A meta é chegar à final para, pela primeira vez, disputar a Copa São Paulo, projeto interno do tricolor.Warditon Dutra trabalha diretamente no departamento de futebol do Anápolis desde 2020. Ele conviveu com as dúvidas internas e dos torcedores pelas derrotas nas fases decisivas de competições.Mas o projeto principal, no restante de 2026, será garantir a permanência na Série C do Brasileiro – o Anápolis é lanterna e corre risco de descenso. A meta será, na fase inicial, somar 18 pontos para bancar a permanência. A direção quer consolidar o Galo da Comarca na Série C para, com poder de investimento maior, mirar o acesso à Série B.Outro projeto é investir na melhoria das instalações do clube, no CT Alto da Boa Vista.O título também é festejado pelo técnico Evaristo Piza, de 53 anos e que tem um mês e meio de trabalho no Anápolis. Substituto de Ângelo Luiz, Evaristo chegou para buscar a classificação na Copa Centro-Oeste na 1ª fase e melhorar o desempenho na Série C. “Tínhamos de vencer o último jogo da fase inicial (goleou o Cuiabá por 4 a 0) e torcer pelo Gama-DF (venceu o Atlético-GO por 2 a 1, em Goiânia)”, contou.O Galo da Comarca foi à semifinal, diante do Vila Nova em partida única. “Foi o nosso jogo mais difícil porque estávamos na casa do adversário, time tradicional apoiado pela torcida. Mais difícil por ser jogo único, diferente da final, com duas partidas e nas quais fizemos a vantagem em casa (goleada de 3 a 0 sobre o Rio Branco-ES)”, explicou o treinador.Evaristo Piza tem no currículo quatro títulos – por Capivariano-SP (Série A-3 do Paulistão 2014), Botafogo-PB (Paraibano 2019), Manaus (Amazonense 2022) e agora a Copa Centro-Oeste. “Trabalhei no Norte, Nordeste e no futebol paulista. Vim para o Anápolis para abrir um novo mercado de trabalho, por acreditar que é possível ajudar no crescimento do clube e para desconstruir esta imagem de um clube que deixava escapar as chances de ganhar títulos.”Na carreira, Evaristo Piza fez trabalhos interessantes, como no Paulínia-SP, em que foi vice-campeão do Paulista Sub-17 (2009) e, no ano seguinte (2010), obteve um acesso à Série A-3 pelo time principal. No projeto do clube, foi revelado o volante Fabinho, um dos 26 convocados pelo técnico Carlo Ancelotti para a Copa 2026. “Ele (Fabinho) é um jogador muito versátil”, resumiu ele, sobre a cria.A carreira do técnico do Galo da Comarca também é marcada pelas boas campanhas nas fases iniciais, mas que não são coroadas com o acesso ou o título. Foi assim no XV de Piracicaba, no Botafogo-PB (duas vezes na Série C), no ABC-RN (vice em 2025) e no Manaus, em que não conseguiu vaga às fases decisivas após boa campanha na 1ª fase da Série C.Agora, o trabalho de Evaristo Piza é garantir a permanência do Anápolis na Série C. O time tem sofrido derrotas dolorosas, como a última, quando empatava sem gols com o Brusque e sofreu o gol nos acréscimos. Na Série C, a avaliação interna no Galo da Comarca é que os resultados não condizem com o desempenho do time nos jogos.