Dança e música sempre foram válvulas de escape na vida de Lucas Vinícius Gonçalves Silva, o Lucão do Break. O atacante do Goiás foi criado em Planaltina, no Distrito Federal, e não deixa de lado as origens. O jogador encontrou no hip-hop e na dança dois meios para superar os dias sem futebol devido à paralisação por causa da pandemia do novo coronavírus.“A rotina do futebol faz muita falta. Ela é puxada, mas jogar futebol é o que amo fazer. Tenho treinado forte em casa, mas não é a mesma coisa de estar no clube. Aproveito para escutar muita música também. Ultimamente, ouvi alguns álbuns da Tribo da Periferia, Dguedz e 50 Cent”, comentou o atacante, que sempre procura variar no som que escuta, mas relatou que as três bandas citadas, uma de Planaltina, outra de Goiânia e uma dos Estados Unidos, respectivamente, não saem dos seus ouvidos.Na infância, em Planaltina, uma das cidades mais violentas do Distrito Federal, Lucão costumava participar de rodas de break na praça perto de sua casa. Geralmente, por causa dos estudos, as tardes nos finais de semanas eram destinadas para encontros com amigos. Hoje, a rotina na dança é mais tranquila. Ocorre em sua maioria nas comemorações de gols, no tradicional “moinho”, passo que virou marca na celebração do atacante, mas também quando ele quer tirar um tempo para brincar com o filho, “Noam do Break”, como o jogador chama o pequeno nas redes sociais.“Estou com muita vontade de voltar aos campos, mas também tenho a consciência de que isso só pode ser feito quando a saúde de ninguém for colocada em risco. Sigo focado nos treinamentos, voltados para manter a parte física. Mas sempre que eu posso, quando estou de bobeira, eu brinco um pouco de dançar. Agora, inclusive, tenho meu filho e já estou ensinando alguns passos para ele”, revelou Lucão, que, na profissão, sempre procurou se inspirar em vários atacantes com bagagem internacional, entre eles Drogba, Cavani, Harry Kane, Ibrahimovic e Benzema.Para ele, não basta só escutar músicas ou tirar um tempo para dançar. É preciso se aprofundar na história dos estilos. O hip- hop, por exemplo, foi escape de jovens nos Estados Unidos, por volta da década de 1970, para se distanciarem das ruas. “Como acompanho hip-hop desde quando era criança, cresci ouvindo, procuro aprender sobre a história do estilo. Durante essa paralisação até estou assistindo um documentário (Hip-hop Evolution) que conta a evolução do hip-hop nos Estados Unidos”, explicou o atacante esmeraldino, que vive sua segunda passagem pelo Goiás, após período de sucesso em 2018.“O Goiás é um lugar em que me sinto bem. Voltar para cá é como me sentir em casa. Fui muito feliz com essa camisa e espero repetir esse êxito. Estou trabalhando firme e espero ajudar o clube a continuar vitorioso”, frisou Lucão, que já disputou 52 jogos, somando as duas passagens pelo time esmeraldino, e marcou 23 gols.“A gente vivia um bom momento (na temporada) e creio que temos condições de manter a evolução. O grupo será o mesmo, o treinador também, então vejo o Goiás forte como estava quando o futebol voltar. O que pode atrapalhar um pouco é o ritmo de jogo, mas isso será um prejuízo que todos os clubes terão. Por isso, é importante que todo mundo esteja se cuidando”, afirmou Lucão, que está com a família em Gravataí, no Rio Grande do Sul, onde tem residência fixa. O jogador se diz concentrado em treinar e prefere não opinar sobre o retorno das competições. “O que for decidido, teremos de encarar.”