Adria Jesus da Silva tinha 16 anos quando sua trajetória foi dividida em duas partes. Da garupa de uma motocicleta, em Goiânia, a levantadora titular da seleção viu o seu "resgate", que é como ela, hoje com 32 anos, define o acidente que causou sua deficiência no início da juventude. Atingida por uma caminhonete, perdeu parte da perna esquerda após 25 dias da colisão e se deparou com mudanças. Começava outra fase e, segundo Adria, a vida de uma nova pessoa.Durante os anos seguintes, entre estudos e empregos, cultivou um mundo próprio, que só ganhou novos ares em 2006. Em Goiânia, conheceu o vôlei sentado, que tornou atleta a jovem que nunca havia tido contato com esportes. No mesmo ano, veio a disputa do Mundial, na Holanda. A convivência com pessoas que têm a mesma realidade se tornou aprendizado para o dia a dia. "As pessoas têm um outro olhar. No mercado de trabalho, você passa a ser visto como um atleta, não só um funcionário que preenche cotas", explica.As dificuldades existiram, assim como a vontade de desistir. Preferiu continuar lutando. Há um ano, superou uma de suas barreiras particulares: sair à rua de bermuda. Prestes a ser convocada para as Paralímpiadas do Rio, ela renova uma certeza: "não sei ficar sem o vôlei".