Haitianos que vivem em Goiás estão confiantes que a seleção do Haiti não vai passar vergonha no duelo contra o Brasil e há quem até prevê vitória haitiana na partida válida pela 2ª rodada do Grupo C da Copa do Mundo. As equipes se enfrentam na noite desta sexta-feira (19), a partir das 21h30 (de Brasília).“O Brasil tem muitos jogadores mais famosos, jogam em clubes maiores, mas a chance de vencer o Haiti vai ser mínima. Tenho certeza que o Brasil vai nos dar três pontos. O jogo vai ser 2 a 1 para o Haiti”, previu, confiante, o torcedor Litanel Maxine.O haitiano mora no Brasil há oito anos, seis deles em Aparecida de Goiânia. O torcedor de 30 anos é um dos milhares de haitianos que podem acompanhar a seleção do Haiti pela primeira vez na Copa do Mundo. Essa é apenas a segunda participação dos haitianos no Mundial. A outra foi há 52 anos, em 1974.“Acompanho a seleção do Haiti. Enquanto estava nas Eliminatórias, vi alguns jogos, estou conectado buscando informações. Quando nos classificamos, senti uma alegria imensa. Nunca tinha visto Haiti na Copa do Mundo. Talvez meus pais viram na primeira vez (em 1974). É uma alegria imensa para nós”, celebrou o torcedor Judelin Dorgella, de 44 anos, que é um pouco mais cauteloso com a expectativa para o jogo, mas confia em boa atuação da seleção haitiana.“Haiti não vai sofrer goleada. Não vai sofrer sete, oito, nove gols. Não vou falar que será fácil, mas estou confiante em uma boa atuação. O Brasil não vai ter vida fácil”, opinou o torcedor, que é formado em engenharia de software e mora no Brasil há 14 anos.O fato do Haiti estar na Copa do Mundo já é motivo de alegria para os haitianos que vivem em Goiás. A seleção garantiu vaga no Mundial após liderar o Grupo C das Eliminatórias da Concacaf.“Eu não acreditei quando o Haiti classificou para a Copa. Fiquei ainda mais sem acreditar com a atuação no primeiro jogo, achei que o time foi bem, mostrou qualidade e excelência. Tiveram algumas coisas injustas, como faltas não marcadas, mas fomos bem”, analisou Litanel Maxine, que é estudante de Jornalismo, está no 7º período e sonha em trabalhar com televisão ou rádio.“No passado, Haiti nunca teve bons times. Sempre foi um pouco mais fraco. Agora, não é a mesma coisa, a maioria dos jogadores atua na Europa, na Inglaterra e principalmente na França. Jogar no futebol europeu não é para qualquer um. Por isso, confio em uma boa atuação”, acrescentou Judelin Dorgella, que lidera um projeto em Aparecida de Goiânia para ajudar na adaptação de haitianos em Goiás.Judelin Dorgella é presidente da Organização dos Haitianos Progressistas em Goiás. Ele ajuda haitianos a conseguirem documentação, se regularizarem junto às autoridades, na busca por educação e qualquer tipo de auxílio necessário.De acordo com dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM), o Brasil possui entre 150 mil a 200 mil haitianos residentes no País. O Governo de Goiás informou que atualmente 765 haitianos em situação de vulnerabilidade vivem no Estado. Goiânia lidera com 266 haitianos entre 28 municípios goianos com a presença de haitianos. Todos os dados são relativos ao ano de 2025.O número de haitianos que vivem em Goiás não engloba estrangeiros com outro tipo de situação humanitária. O POPULAR solicitou essa informação à Polícia Federal, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem.Os torcedores pretendem acompanhar o jogo desta sexta-feira com familiares em casa. Houve uma iniciativa para reunir haitianos em Aparecida de Goiânia, no bairro Expansul, com a ideia de alugar um telão, mas a iniciativa não foi adiante e, por causa do horário, não deve ocorrer reunião de haitianos para acompanhar a partida.“É um sonho de todos os haitianos estar na Copa do Mundo, é a maior alegria. Não estou no meu país para comemorar como seria no Haiti, mas estou transbordando de felicidade. É um prazer ver o time voltar para a Copa do Mundo depois de tantos anos, mas a alegria maior será quando conseguirmos três pontos em cima do Brasil”, concluiu Litanel Maxine.