Os atletas Robson Araújo, de 47 anos, e Carlos Antônio dos Santos, de 52 anos, são estreantes na 33ª Caminhada Ecológica. No primeiro dia de percurso, da Basílica Santuário do Divino Pai Eterno, em Trindade, até Itauçu, onde foram recepcionados e fecharam o primeiro dia, nesta terça-feira (21), os dois tiveram a primeira experiência no projeto. Aprovaram e querem chegar ao Rio Araguaia, no sábado (25), para reviver experiências do passado.A dupla de novatos e os outros 28 atletas vivenciaram no primeiro dia o processo de expansão urbana de Goiânia e das outras cidades da Rota do Araguaia e do uso do solo para pastagens e lavouras.No primeiro dia de percurso, Robson e Carlos Antônio se lembraram de boas histórias. Carlos morou em Aruanã a partir dos 6 anos. No início de 2000, se mudou para Goiânia. “Nadei no Rio Araguaia. Vi também o começo da Caminhada Ecológica. Eu me lembro bem do seu Donca (Antônio Firmino de Lima, atleta pioneiro do projeto). Era um senhor magro, mas muito resistente”, detalhou Carlos Antônio.Nas memórias, também se recordou do indígena da etnia karajá Euler Vieira, também ex-atleta do projeto e amigo dele. Nesta 33ª edição, Carlos Antônio também reencontrou o incansável João Batista de Souza, pedreiro em Aruanã que já passou de 30 participações. Outra pessoa conhecida do estreante é Renata Camelo, que também faz a estreia como atleta e que é pedagoga em Aruanã.Se para Carlos Antônio o reencontro com as origens marca a estreia dele, para Robson Araújo o que vem à mente são as memórias da família, quando mais jovem. “Eu conheço muito bem este caminho. O meu pai (Waldemar Sancha) levava a nossa família (cinco pessoas) para passear no Rio Araguaia. Nós viajávamos num ônibus, era muito divertido”, citou o atleta, que mora numa chácara em Aragoiânia. Recentemente, ele fez o passeio, mas na companhia dos três filhos. Agora, segundo ele, observa a paisagem com outro olhar - o de quem caminha, sob frio e sol, muito barulho e trânsito pesado, com os dois lados da pista para observar. “Vi dois animais mortos”, citou.Como ainda terá quatro dias à frente, Robson espera ver matas ciliares e o que ainda resta do Cerrado. “Sou assim, gosto de ir olhando a natureza “, explicou.Antes da chegada à bacia do Araguaia, os 30 atletas cruzaram os primeiros quilômetros do Rio Meia Ponte, cuja nascente principal se encontra na Serra do Brandão, em território itauçuense. O Meia Ponte é o principal responsável pelo abastecimento da região metropolitana de Goiânia. A bacia dele abrange cerca de 40 cidades antes de desaguar no Rio Paranaíba. Nesta época do ano, de seca e muito consumo d’água, costuma pedir socorro.“Moro numa chácara (em Aragoiânia) e sei o tanto que a água é importante, vital para todos”, explicou Robson Araújo. Segundo ele, o que tem acompanhado pelo noticiário é o uso descabido da água. “Em alguns locais, o leito dos rios é desviado para as grandes propriedades, as represas são desrespeitadas e utilizadas incorretamente, há muita poluição e devastação”, explicou.Sobre a Caminhada Ecológica, espera que possa chamar a atenção para essas as situações de desrespeito ao meio ambiente. Para Carlos Antônio, o projeto pode servir como alerta. “A quantidade de água está diminuindo. Temos de aprender a usá-la, preservar os rios, as nascentes e os bichos”, frisou o atleta estreante.A 33ª edição da Caminhada Ecológica é uma realização de jornal O Popular e SESC e conta com o patrocínio do Instituto UNIMED Goiânia, apoio científico da PUC Goiás, apoio do CRD Medicina Diagnóstica, Laboratório Padrão e Dynlab, apoio logístico do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar de Goiás, e ativação do Arroz e Feijão Barão.