O Campeonato Goiano, que chega a sua 80ª edição em 2023 - começa nesta quarta-feira (11), com 12 equipes -, vê quatro clubes da capital predominantes quando o assunto é título. Em ordem de conquistas, Goiás, Atlético, Vila Nova e Goiânia são os maiores campeões do Estadual, com 73 taças das 79 que já foram disputadas na história da competição.O Campeonato Goiano foi dominado por Goiânia e Atlético-GO entre os anos de 1940 e 1950. Nos anos 1960, o Vila Nova foi o principal campeão, e o equilíbrio entre o colorado e o Goiás predominou em 1970. Nos anos 1980, 1990 e começo de 2000, o clube esmeraldino se tornou soberano no ranking de títulos. A partir de 2010, a equipe alviverde viu aumentar a rivalidade com o Dragão e passou a se revezar com o rubro-negro nas conquistas estaduais.Ser campeão ao longo das décadas teve importância e consequência diferentes para personagens que marcaram histórias pelos quatro principais clubes da capital.“Na minha época, era como se você fosse campeão brasileiro”, resume Chico Frazão, ex-volante do Goiânia, que foi campeão goiano em 1968 pelo Galo. “Me deu confiança para jogar e assumir a titularidade”, conta o ex-lateral direito Vítor, que, pelo Goiás, foi campeão do Goianão em quatro oportunidades entre 2006 e 2013, além de ter sido vencedor do Estadual em 2004 pelo Crac.Ao longo das 79 edições, o Goianão cresceu. Até a década de 1960, o Estadual era basicamente uma disputa entre times de Goiânia e cidades vizinhas, como Nova Veneza, Inhumas e Campinas (na época um município). Anápolis e Buriti Alegre tinham suas próprias competições.“O estádio Olímpico era o principal ponto de encontro para quem gostava de futebol. O pessoal saía do trabalho e ia para lá. Eu morava do lado, era meu quintal. Vi treinos, joguei no Goiânia desde o infantil. O campeonato (goiano) era só aqui em Goiânia praticamente, não tinha tantos jogos contra os times de fora, por isso cada título era mais valorizado”, lembrou Chico Frazão, que jogou no Goiânia entre 1965 e 1972, além de também ter defendido o Goiás em 1973.O ex-zagueiro Macalé defende que o primeiro Goianão conquistado pelo Goiás, em 1966, é um dos principais títulos da história do clube esmeraldino, que tem 28 conquistas e é o maior campeão da competição.“O Goiás quase caiu em 1965. Se tivesse caído, poderia ter desaparecido. Eu tenho certeza que o título de 1966 foi o mais importante da história do Goiás, tudo mudou depois daquela conquista. O Goiano era a principal competição que nós jogávamos. Me marcou muito ter ajudado naquele título, lembro muito dos gols que fiz contra o Atlético (dois em dois jogos contra o Dragão)”, comentou Macalé, que jogou 11 edições do Goianão, entre 1965 e 1979, em duas passagens pelo Goiás.Leia também:+ Wilton Pereira Sampaio apita Vila Nova x Goiânia; veja arbitragem para 1ª rodada do Goianão+ A história do Goianão em 80 fatosPersonagens do futebol goiano constataram, ao POPULAR, a mudança no estilo de jogo das equipes que atuam no Goianão. “Futebol era arte antes, hoje é força, esquema tático, velocidade. Futebol era mais complicado, hoje os campos são bons, a tecnologia ajuda em tudo”, comparou o ex-atacante Guilherme, que foi campeão goiano pelo Vila Nova em 1968 e 1977, o primeiro ano do tetracampeonato consecutivo colorado.Com o passar dos anos, integrar elencos campeões goianos era crucial para garantir sequência e ajudar jogadores a crescer dentro do futebol.“Em 1995, o time (do Vila Nova) entrou praticamente com jogadores da base. Campeonato de fases, a equipe cresceu aos poucos e foi muito importante para mim, por ser meu primeiro título de expressão e impulsionar minha carreira. Foi diferente do título de 2005, que já era outro momento. Voltei para o Vila em 2004, já tinha sofrido com meu joelho e a conquista (de 2005) foi como um encerramento para minha carreira. É clichê, mas o time era unido e estava focado no propósito de ser campeão”, comparou o ex-meia do Vila Nova, Tim, campeão goiano em 1995 e 2005, ano que o Tigre venceu o Goianão pela última vez.Na opinião de personagens do futebol goiano, o Goianão é um campeonato que possui visibilidade. “Quando uma equipe do interior se destaca, jogadores ganham chances em times maiores de Goiás ou de fora. Isso é algo positivo que o Campeonato Goiano mantém”, opinou o ex-lateral Vítor, hoje treinador.“Antigamente, a federação investia bem no Estadual. Eu joguei no Rio, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Pará, no DF, mas só em Goiás vi a federação contratar jogador (ocorreu em 2007) e distribuir nos times participantes. O Goiano sempre foi uma competição organizada”, afirmou o ex-atacante Fábio Oliveira, que foi campeão goiano por Atlético (2007) e Itumbiara (2008).Para afirmação como jogador, visibilidade no mercado ou marcar um clube com a conquista de um título, o Campeonato Goiano ainda é visto como uma competição que revela atletas, cria memória e pode deixar currículo mais vitorioso.“Cada estado tem sua característica, sua identidade de estilos, e o futebol goiano sempre foi uns dos berços ou vitrine para futebol nacional, revelando grande atletas que brilharam nacional e internacionalmente. Por exemplo, Baltazar, Valtair, Valdeir ‘The Flash’, Lindomar, Romerito, Luvanor, Zé Teodoro, Uidemar, Túlio Maravilha, Danilo, Michael e Jorginho”, disse o ex-atacante Júlio César “Imperador”, campeão goiano pelo Atlético-GO em 1988, que foi o último título do Dragão antes do maior jejum da equipe no Estadual, de 18 anos, que foi encerrado em 2007.Veja as últimas conquistas de Goianão dos clubes da capital que já foram campeões:-Imagem (Image_1.2592673)-Imagem (Image_1.2592676)-Imagem (Image_1.2592674)-Imagem (Image_1.2592675)