Um ano após a primeira paralisação do futebol em Goiás e em meio ao pior momento da pandemia de coronavírus, o esporte volta a parar no Estado. Decreto do governo de Goiás estabelece, a partir desta quarta-feira (17), a retomada de outro decreto, de abril de 2020, que determina o funcionamento em revezamento de 14 por 14 dias para as atividades não essenciais, o futebol entre elas.A medida ocorre para conter o avanço da Covid-19 no Estado em meio à segunda onda da pandemia, que já matou quase 10 mil pessoas em Goiás. Na noite desta terça-feira (16), as mortes registradas nas 24 horas anteriores chegaram a 220.O decreto desagradou a Federação Goiana de Futebol (FGF) e os clubes, que se reúnem nesta quarta-feira (17) para decidir o que fazer.Entre esta quarta e o dia 30 de março, os primeiros 14 dias em que atividades não essenciais estão suspensas, eram 23 partidas previstas para solo goiano, incluindo três rodadas completas do Campeonato Goiano. O jogo Iporá x Goiás, atrasado e que seria nesta quarta (17), foi suspenso pela FGF.Outras quatro partidas nestas quarta (17) e quinta (18), incluindo dois jogos da Copa do Brasil que não têm clubes goianos e foram transferidas para Goiânia por causa do impedimento ao futebol em outros lugares, ainda não tiveram datas alteradas, mas, de acordo com o governo, não podem ocorrer.A CBF foi avisada sobre o decreto e ainda não definiu o que vai fazer com os jogos. A tendência inicialmente é de que todas sejam na quinta (18). A CBF ainda vai se posicionar sobre locais.O decreto atual, o 9.828, vai retomar outro decreto, de abril de 2020, de nº 9.653. No 9.653, o parágrafo 2º do artigo 6º que trata sobre eventos esportivos dá conta do que os eventos precisam seguir no período de funcionamento.“As atividades consideradas essenciais estão descritas no parágrafo 1º do art. 2º do decreto (9.653). Só aquelas funcionam no período de restrição. No período de abertura, o futebol cumpre esse parágrafo segundo do art. 6º e o protocolo de funcionamento da SES”, explicou Alan Tavares. O protocolo exige testagem e limite de número de pessoas por evento, o que já é seguido pelo futebol desde a volta dos times goianos às competições, em agosto de 2020.No momento do decreto de abril, retomado agora, não havia jogos em Goiás pois o futebol estava suspenso. Os clubes estavam treinando e tiveram de realizar suas atividades em outra cidade. Trindade e Goianápolis receberam as atividades dos clubes goianienses, por exemplo.De acordo com Alan Tavares, mesmo se houver qualquer decreto municipal liberando a realização de jogos e treinos, o decreto do governo de Goiás é o que vale. “Vale o decreto estadual. Os municipais valem em detrimento do Estadual quando ampliam as restrições buscando proteger a saúde”, explicou o secretário da Casa Civil.Os municípios que estiverem em situação de calamidade conforme o mapa de calor lançado por governo estadual em 17 de fevereiro, não poderão flexibilizar as restrições, como era possível no ano passado. Atualmente, apenas uma das 18 regiões do Estado não está em situação de calamidade.Reação contráriaPresidente da FGF, André Pitta reagiu de forma contrária às determinações. “Se toda a sociedade estivesse fazendo o que o futebol está, não teríamos a situação que tem hoje. O futebol testou, só pela CBF, mais de 90 mil testes na última temporada. Foram quase 2 mil testes no Goiano entre o que terminou (2020) e o que começou agora (2021). Estamos fazendo com rigor e seriedade e ficamos chateados quando a gente é incluído no pacote de quem não cumpriu nada. Vamos pagar a conta com quem fez lambança”, falou o dirigente.André Pitta reforça que acredita que o futebol não deveria estar incluído nas restrições. “A gente sabe que é muito grave a situação do País, mas não é muito grave pelo futebol, mas por muitas irresponsabilidades que aconteceram nesse período todo”, disse o dirigente.