Correr a distância de uma maratona em Goiânia é o desafio que atletas vão encarar no próximo domingo (31). A nobre prova de 42,195 km desperta fascínio ao mesmo tempo em que assusta corredores. Na série especial Corre que Dá, do POPULAR, atletas e professores contaram como é correr uma maratona na capital goiana.Cada cidade tem as suas particularidades. No caso de Goiânia, o tempo seco, as altas temperaturas e os aclives e declives nos trajetos são marcas registradas e fatores que precisam ser levados em conta para quem deseja praticar esporte. É o que aponta Moara Souza, professora de Educação Física, de 37 anos.“Por se tratar de correr uma maratona aqui em Goiânia, já são dois desafios, devido à altimetria das provas. O ciclo é de superação pois, além dos treinos de corrida, temos de incluir trajeto com kms de subida. Fica mais desafiador ainda”, explicou. Altimetria é a ciência de medição de alturas ou elevações, junto à interpretação desses resultados. Jannison Santana, de 31 anos, vai participar da 12ª Maratona Internacional de Goiânia em Movimento no próximo domingo (31) e correrá a distância de uma maratona pela primeira vez.O corredor citou as elevações da capital como obstáculos relevantes. “A principal diferença é o percurso extremamente difícil devido ao sobe e desce. A maioria das maratonas opta por percursos mais planos, o que não acontece nesta”, comentou o barbeiro.Jannison, que é natural de Curionópolis (BA), mas mora em Goiânia desde 2012, começou a praticar corrida durante a pandemia e participou de sua primeira prova em 2023. Desde então, foram mais de 50 corridas em Goiânia e na Região Metropolitana. Ele também contou que conciliar família, trabalho e treinos, muitas vezes, dedicando três horas por dia a esses treinamentos, é sempre um desafio a ser superado no ciclo de preparação.No ciclo atual, para participar pela 1ª vez da Maratona de Goiânia, ele contou com treinos montados por um profissional de Educação Física e teve acompanhamento de fisioterapeuta e nutricionista. “Desde o início de 2025, estou focado em participar de uma maratona, por isso fiz algumas meias no primeiro semestre e o ciclo específico para maratona durou 12 semanas”, disse Jannison.Além dos desafios da altimetria, da administração de tempo e da intensidade do ciclo de preparação, o tempo seco e o trajeto da prova foram citados por Jannison como aspectos que merecem atenção.“O percurso difícil, o tempo seco e o horário de largada fazem dessa prova uma das mais difíceis do Brasil. No entanto, sabendo de tudo isso, o treinamento, a estratégia de hidratação e suplementação já são pensados e o desafio é se manter bem hidratado nas semanas posteriores à prova e principalmente durante a prova”, disse.O goianiense Thiago Cluvinel, de 38 anos, que trabalha como analista de prevenção de perdas, também vai participar da Maratona de Goiânia pela 1ª vez. Ele começou a correr em 2018 e gosta de praticar em trilhas, em ambientes de natureza. Para correr os 42,195 km, ele vem se preparando há mais de um ano e as atividades não envolvem velocidade, mas sim resistência e constância.“Goiânia tem percursos com muitas subidas longas, clima seco, e isso a diferencia muito de outros lugares mais populares em termos de corrida de rua. Particularmente, treino muito em diversos ambientes, sol, chuva, pois meus treinos envolvem longas distâncias e algumas horas de treino”, comentou.A professora Moara Souza comentou que a procura por 42 km não é tão grande em Goiânia em relação a outras distâncias por causa do clima quente e seco, principalmente na atual época do ano, quando correr uma maratona fica ainda mais difícil do que já é.“O atleta precisa de uma estratégia do início ao fim, sem errar na suplementação. Em relação aos treinos específicos, é deixar o atleta o mais forte possível para terminar uma prova bem. Isso inclui treinos com subidas e em horários quentes, divididos em treinos leves, intervalados e longos”, declarou Moara.A professora de Educação Física e funcionária pública Thayssa Alves, de 32 anos, diverge um pouco da visão de Moara em relação à procura por corridas de 42 km em Goiânia.“Mesmo tendo apenas duas maratonas oficiais no ano, a procura é muito boa. Os corredores daqui valorizam bastante a chance de correr em casa porque normalmente precisam viajar para outras capitais para encontrar provas longas. Além disso, Goiânia tem uma comunidade de corrida muito ativa, com assessorias e grupos que incentivam a participação. Como o percurso é desafiador, com muitas subidas, muitos atletas encaram como uma oportunidade de superação pessoal”, opinou.A autônoma goianiense Soraya Maria, de 50 anos, vai disputar uma maratona em Goiânia pela 5ª vez. Ela faz academia desde os 17 anos, corre desde 2014 e já participou também de provas na distância em Porto Alegre, Brasília e Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina.“Já participei de várias corridas e fiz dez maratonas. Estou me preparando há meses, fiz o Desafio Cidade Maravilhosa no Rio de Janeiro. Não diferencio qualquer corrida. Só diferencio o clima das diversas regiões, como frio no Rio Grande do Sul e calor no Rio de Janeiro. O tempo seco exige mais hidratação”, contou Soraya.O biomédico Claudian Rocha de Carvalho, de 38 anos, que nasceu em Grajaú (MA) e mora em Goiânia desde 2012, também não é um novato em maratonas. Ele iniciou corridas de rua há quatro anos e tem três maratonas concluídas com tempo abaixo de 4 horas. O seu melhor tempo foi no ano passado, com 3h30 justamente em Goiânia.Além disso, Claudian também disputou várias meias e cerca de 140 corridas de 10 e 5 km. O biomédico revelou que já conseguiu cerca de 35 pódios, entre geral e faixa etária, e falou sobre as diferenças de correr 42 km em Goiânia e em outros locais.“Essa maratona tem um grande diferencial, que é o percurso desafiador, um dos mais difíceis do Brasil. O clima seco realmente não ajuda, além das inúmeras dezenas de subidas. Correr em outros lugares, como por exemplo Brasília, tem uma grande diferença. Lá não tem tanta subida, só que o clima é diferente. Já me acostumei a correr aqui em Goiânia”, ponderou Claudian.A professora Thayssa Alves ressaltou a importância de, antes de se comprometer a uma correr uma maratona, conhecer o local para saber quais atitudes tomar.“Em Goiânia, o atleta precisa se preparar não só para a distância, mas para as características da cidade. O relevo exige muito, então é fundamental incluir treinos em subida e descida, além de fortalecimento muscular para suportar o esforço. Outro ponto é o clima. Em época seca, a hidratação precisa ser redobrada e o corpo deve estar adaptado ao calor e à baixa umidade. Durante a prova, é importante controlar o ritmo, principalmente nas subidas, e usar estratégias de reposição de sais minerais. Quem consegue se preparar bem chega com vantagem para encarar Goiânia”, complementou.O trajeto de 42 km da 12ª Maratona Internacional de Goiânia em Movimento começa e termina no Paço Municipal e passa por bairros como Park Lozandes, Alphaville Araguaia, Jardim Brasil, Residencial Clea Borges, Alphaville Flamboyant e Vila Jardim Vitória. A prova será realizada a partir das 5h55 do próximo domingo (31).