No dia 9 de março, próxima segunda-feira, é comemorado o Dia do Corredor de Rua, data para homenagear todos os praticantes da modalidade. Mas por que correr na rua é tão apaixonante? Nesta reportagem da série especial Corre que Dá, do POPULAR, atletas falaram sobre o que significa correr em meio às paisagens urbanas.A esteticista Valdirene Aparecida, de 54 anos, sempre teve vontade de correr, mas achava que nunca daria conta. Quando seu professor de pilates a viu fazendo algumas atividades, disse que levava jeito para a corrida.Ela começou a treinar e já pratica corrida há nove anos. Um dia, resolveu fazer uma prova para ver se conseguiria correr 5 km sem parar. Dali para frente, apaixonou-se por esse mundo e começou a pegar pódios. “Vício total”, comentou Valdirene, que é natural de Leopoldo de Bulhões (GO).A esteticista teve de parar por um tempo por conta de lesão. Apesar de praticar outras atividades, Valdirene diz que nada substitui a corrida. “Gosto de correr na rua ao ar livre, sou apaixonada em cada detalhe da natureza, sentir o vento no rosto, ver o pôr do sol. Não tem preço.”Valdirene já correu em quase todos os parques de Goiânia - onde faz o pontapé inicial antes de ir para as ruas - e no autódromo, e a cidade mais distante em que correu na rua foi Brasília, onde fez a primeira meia maratona. Além disso, também já correu em Anápolis, Goianira, Leopoldo de Bulhões, Trindade, Nerópolis, Abadia, Caldas Novas, Rio Quente e Inhumas.Maria Gorett de Fátima, de 65 anos, nascida em Anicuns, começou a correr há 14 anos. Quando estava acima do peso e procurando um jeito de emagrecer, um amigo lhe falou sobre a corrida de rua. Em pouco tempo, ela perdeu 17 kg. Atualmente, participa de quase todas as provas que consegue, incluindo o Circuito Mulher no próximo domingo (8), em Goiânia.“Correr na rua é simplesmente fascinante, a liberdade que se sente, as amizades que você faz, conhecer lugares lindos onde não iria se não fosse pra participar de uma corrida de rua. É simplesmente maravilhoso, amo de paixão”, comentou.Aposentada, Maria Gorett gosta de correr pelas ruas de Goiânia e também participa de provas em Anápolis, Senador Canedo, Aparecida de Goiânia e outras cidades do estado. Também já participou duas vezes da São Silvestre em São Paulo, uma experiência “maravilhosa e inexplicável, o sonho de todo corredor”. No final de março, ela vai correr a Maratona das Praias em Guarapari (ES).Rosimeire Pereira Ramos, de 60 anos, trabalha como depiladora e pratica corrida de rua há 11 anos. Ela começou depois de ver algumas pessoas praticando e ter achado “lindo”. Na época, conheceu a professora Rosimeire de Oliveira, que a ajudou bastante antes de morrer, em abril de 2023, de câncer - ela também foi professora de Maria Gorett.“Acho fascinante correr na rua pela sensação de liberdade e também pela facilidade de conhecer pessoas e fazer amigos. Gosto de correr nos parques de Goiânia, Areião, Lago das Rosas, e nas ruas de Goiânia. Vivo em uma cidade linda”, comentou a depiladora.Atualmente, sob a assessoria do professor Marcione Santos, Rosimeire participa de corridas em outras cidades sempre que possível. Gosta de conhecer lugares e pessoas, também esteve na São Silvestre e, assim como Maria Gorett, estará no Circuito Mulher e na Maratona das Praias.O neurologista Rafael Dias, de 40 anos, nasceu em Vilhena (RO) e mora em Goiânia há 14 anos. Incentivado por um amigo, começou a correr no final de 2022, com o objetivo de sair do sedentarismo e estimular os pacientes a praticar algum tipo de atividade física, já que, segundo o próprio, ele não estava dando o melhor exemplo.“Com o tempo, conforme fui incorporando a corrida à rotina, acabei desenvolvendo gosto pela modalidade. Hoje, faz parte da minha semana. A corrida nos permite conhecer e apreciar lugares e momentos que muitas vezes passam despercebidos. É uma forma de fazer o tempo ‘ir mais devagar’ e ter um autoconhecimento a respeito do seu corpo e da sua mente”, contou.Lorena Naves, de 31 anos, por sua vez, começou a correr há alguns anos ao lado do irmão, que hoje em dia é maratonista. Antes, ela conseguia acompanhá-lo, mas parou de correr por um tempo e intensificou os treinos durante a pandemia da Covid-19. Na época, como ela não podia ter contato com outras pessoas, foi uma ótima atividade para fugir da tensão.Fisioterapeuta e profissional de Educação Física, nascida e criada em Goiânia, Lorena ama correr na rua e ver o movimento, as pessoas e os lugares. Isso distrai a sua mente, diante do dia a dia corrido, muda o foco e, durante a corrida, a única “preocupação” passa a ser o pace (ritmo), que, segundo ela, é uma “preocupação boa”.Normalmente, Lorena corre nas ruas de Goiânia mesmo. Porém, quando viaja para outros locais, inclui a corrida na programação, principalmente para conhecer os ambientes novos e correr sem muito rumo por eles.“Sem dúvida, na rua para mim é o melhor lugar pra correr. Só precisa de um pouco mais de atenção por causa do trânsito, e são poucas ruas destinadas à corrida de rua. Um parque também é legal, o problema é o tamanho. Mas a rua, sem dúvida, é o melhor (lugar), não fica monótono”, explicou.Já o personal trainer Jaelson Ferreira, de 35 anos, natural de Sítio Novo (TO) e morador de Goiânia há 24 anos, está há sete anos no mundo da corrida. Sua história com a modalidade começou em 2019. Ele estava cansado de correr na esteira e resolveu chamar dois amigos para correr na rua.Após cerca de 2 km, vieram cansaço, dor no joelho, dor na perna e canelite, e os três perceberam que não tinham pique para correr. Então, Jaelson estabeleceu um objetivo pessoal de correr 5 km em menos de 30 minutos e começou a treinar para isso.“Gostei de estar correndo ao ar livre, ali no asfalto, vendo o movimento da rua, dos pássaros, achei bem melhor do que correr na esteira e resolvi também me inscrever em uma prova depois, uma prova de 5 km”, disse o corredor.Nessa primeira prova, ele completou o percurso em 20 minutos, subiu no pódio e pegou troféu. Ele gostou da sensação de superação, de superar limites e de conseguir realizar algo que se propôs a fazer e em algum momento achou que não conseguiria.“Toda essa sensação, essa mistura, as amizades que eu fiz no meio, acabaram me conquistando. Me senti bem naquele lugar e vi que tinha potencial para melhorar ou para correr mais. Resolvi também continuar desafiando e aumentando os meus limites, participando de provas de 10 e 21 km”, complementou.Na meia maratona no Rio de Janeiro, Jaelson descobriu uma maneira de deixar a corrida ainda melhor, que é juntar a corrida com a viagem. Correndo pela cidade, ele passou a enxergá-la de outra forma. Além disso, conheceu novos amigos, rompeu limites e superou desafios, sem falar nos benefícios para a saúde.