A pouco menos de dois meses do fim do primeiro semestre, corredores de rua podem estar chegando no momento de disputar suas provas mais longas, se tiverem traçado esse objetivo. Já se passaram quatro meses completos da temporada e o ciclo de uma prova de maior distância vai sendo concluído, com a proximidade daquele desafio especial. A série especial sobre corrida do POPULAR, Corre que dá, pediu para profissionais da área explicarem como funciona um cronograma que culmina com provas longas entre maio e junho.De acordo com Maycon Aureliano, profissional de Educação Física formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e head coach da assessoria esportiva Cascavel Running Team, o primeiro passo é esclarecer que o cronograma de treinos para maio e junho faz parte de um planejamento estratégico definido no início do ano.“Atletas de corrida estão buscando cada vez mais experiências únicas, que passam por um recorde pessoal ou a participação em uma grande prova do calendário nacional ou internacional. Em janeiro, mapeamos as principais provas que acontecerão em maio, junho e julho. A Maratona Internacional de Goiânia, a do Rio de Janeiro e a de Porto Alegre são os principais alvos”, comentou o profissional goianiense, de 41 anos.Maycon explicou que, em um ciclo de treinamento específico para provas de maior duração, como a maratona e a meia maratona, os dois meses que antecedem o evento são caracterizados pelo desenvolvimento de velocidade e a fase de “polimento”, que é o período final do treinamento.Geralmente, esse período final ocorre nas últimas duas a três semanas antes da maratona, focado em reduzir gradualmente o volume de corrida para que o corpo se recupere e chegue descansado ao dia da prova. O final do primeiro semestre também pode ser encarado como um período de base de treinamento para aqueles que pretendem encarar provas de maior distância pela primeira vez mais adiante.“Com o ‘boom’ da corrida de rua, provas como as maratonas de Florianópolis e Buenos Aires, que acontecem em agosto e setembro, respectivamente, atraem cada vez mais atletas, e os motivos são vários. Baixa temperatura, percurso plano, organização da prova e a beleza das cidades são alguns dos atrativos. Para os mais experientes, há a possibilidade de se aventurar no Velho Continente (Europa). As Maratonas de Berlim, na Alemanha, e Chicago e Nova York, nos Estados Unidos, fazem parte do sonho da maioria dos corredores”, analisou Maycon.O head coach afirmou que, para o corredor que se prepara para sua primeira meia maratona (21,097km) ou maratona (42,195km), seja nas ruas de Goiânia ou em qualquer outro estado, as semanas finais do treinamento trazem consigo uma convidada barulhenta: a ansiedade da estreia.“Mais do que o medo da distância, surge a pressão pelo desempenho, um fenômeno comum em atletas amadores que, por vezes, transformam o lazer em um ‘segundo emprego’. No entanto, o verdadeiro sucesso de um estreante não reside no cronômetro, mas na capacidade mental de administrar essa expectativa e, fundamentalmente, de curtir o momento”, comentou.De acordo com Maycon, a ansiedade pré-prova é um reflexo do compromisso assumido ao longo dos meses. Para administrá-la, é preciso ressignificar o conceito de “meta”. Se o foco for apenas o tempo final, o corredor corre o risco de passar pela prova sem vivenciá-la.“O preparo mental passa por entender que a medalha é apenas o protocolo final de uma jornada que já foi vencida nos treinos de madrugada e na disciplina alimentar. Em Goiânia, por exemplo, o calor e a altimetria exigem que o atleta esteja presente no ‘aqui e agora’, respeitando os sinais do corpo em vez de se escravizar por um ritmo pré-estabelecido”, comentou.Por fim, Maycon declarou que integrar a vida social e familiar nesse processo é o que dá leveza à corrida. O profissional disse que o treinamento não deve ser um muro entre o indivíduo e as pessoas que ama, mas uma ponte para compartilhar conquistas. O equilíbrio vem ao celebrar as pequenas vitórias da semana com a família e ao levar para o trabalho a resiliência adquirida no asfalto.“Ao alinhar no funil de largada, lembre-se: você é um amador apaixonado, não um profissional sob contrato. Sorrir para a torcida, agradecer aos voluntários, pensar nas pessoas que estão torcendo por você e absorver a energia da cidade são estratégias psicológicas poderosas para reduzir o estresse e transformar a prova em uma memória afetiva, e não em um fardo. Afinal, a maratona é uma celebração da saúde e da liberdade. Cruzar a linha com o coração leve vale muito mais do que qualquer marca no GPS”, contou.A professora goianiense de Educação Física Moara Souza, de 38 anos, confirma que, no final do semestre, os atletas sempre optam por uma prova alvo, como as corridas de Porto Alegre e Rio de Janeiro, que estão entre as mais famosas do Brasil - a do Rio por causa do “visual incrível” e a de Porto Alegre por ser “uma prova rápida”.Segundo Moara, o final de semestre sempre vem acompanhado de férias, o que gera uma facilidade de treino e rotina.“As maratonas mais famosas, existem três em cada semestre, fora as inúmeras outras espalhadas pelo mundo. Então, vai muito de acordo com a escolha de cada aluno, e trabalhamos em cima desse objetivo, seja como a primeira prova ou a busca de um tempo menor”, comentou.Estreia na maratonaA advogada goianiense Layla Karoline Alves, de 33 anos, pratica corrida há aproximadamente seis anos. Começou a correr inicialmente por questões de saúde e emagrecimento, logo após a primeira gestação, período em que ganhou cerca de 20 kg.Durante a pandemia da Covid-19, correr ao ar livre acabou sendo a opção mais viável para auxiliar na redução de peso. Em pouco tempo, a corrida se tornou parte da rotina e uma grande paixão. Neste ano, ela disputará a Maratona de Porto Alegre, sua primeira vez na distância de 42km, e está “muito animada e motivada” para esse desafio.“A expectativa está alta, principalmente por toda a preparação envolvida e pelo significado que uma maratona representa para qualquer corredor. Meu principal objetivo é completar bem a prova, respeitando meu corpo e concluindo esse desafio pessoal da melhor forma possível”, detalhou.Layla descreveu que a rotina de treinos neste primeiro semestre está bastante intensa e organizada. Ela manteve uma programação com treinos de corrida, fortalecimento físico e acompanhamento alimentar, sempre assessorada por uma equipe multidisciplinar.“A preparação para a primeira maratona exige muita disciplina, além de cuidados com recuperação, alimentação e constância nos treinos. Tem sido um período desafiador, principalmente para conciliar treinos intensos, trabalho, filhos, casamento e vida social. Porém, é muito gratificante perceber a evolução física e mental ao longo de todo o processo”, concluiu.