Durante a época de extremo calor, corredores de rua precisam tomar cuidados especiais para não correrem riscos durante a prática esportiva. Nesta reportagem da série especial Corre que dá, o POPULAR buscou especialistas e atletas para saber tudo o que deve ser feito durante o período de altas temperaturas, que desafia os praticantes de corrida.De acordo com a médica esportiva goianiense Thaís Castro Figueiredo, de 48 anos, os principais riscos são desidratação e aumento da temperatura corporal. Os principais cuidados nessas condições precisam ser ter uma hidratação adequada, com o cuidado de não provocar uma “hiper hidratação”, e também observar o estresse térmico.“A água, ao sair do nosso corpo (sudorese), só vai promover perda de calor se mudar de estado físico, ou seja, se evaporar. Em um ambiente quente, principalmente se for úmido, temos um comprometimento na eficiência da perda de calor e isso pode acarretar em aumento da temperatura interna. Esse aumento pode afetar o bom funcionamento de sistemas enzimáticos e prejudicar a cognição, orientação espacial, dentre outros”, explicou a médica.Segundo Thaís, a hidratação é uma estratégia individualizada e precisa levar em conta o peso do indivíduo e o tempo de treino ou prova. É necessário escolher melhores condições de temperatura e umidade para a prática do esporte, como buscar sombra e ventilação, adiar o início do treino e mudar para ambiente climatizado.“As dicas mais relevantes são: escolher roupas leves e com boa ventilação, fazer aclimatação ao calor caso o objetivo seja fazer uma prova em ambiente quente e úmido, não ingerir líquidos em excesso e nem bebidas isotônicas sem orientação especializada, fazer testes de campo para determinar a sudorese de forma individualizada para a adequada prescrição de hidratação e fazer reposição de sódio e carboidrato quando necessário”, complementou a médica.A fisioterapeuta, estudante de Educação Física e treinadora de corrida Natália Faria, de 41 anos, sempre dá preferência para treinos em horários mais cedo, antes do sol sair, e após o sol se pôr, garantindo a possibilidade de não sofrer tanto com os efeitos da temperatura.“Tento fazer uso de roupas mais adequadas e leves e utilizo hidratação antes, durante, com uso de garrafinha, e após os treinos de forma abundante. Além de protetor solar adequado e reposição de eletrólitos porque perdemos muito com o suor”, comentou.Natália declarou que as maiores dificuldades são os efeitos que o calor causa como a desidratação, sede excessiva, aumento da temperatura corporal, maior perda de líquido e eletrólitos, maior fadiga e sensação de cansaço durante a prática, além da falta de ânimo até mesmo para iniciar a corrida, corroborando o que foi explicado por Thaís Castro.“O calor leva o nosso corpo a um nível maior de estresse e exigência, isso faz com que a gente sinta mais de forma física todos esses sinais. Por isso, é tão importante se atentar aos cuidados básicos para ter uma prática saudável e agradável”, disse a fisioterapeuta.Natália pratica corrida desde 2014, após iniciar a modalidade como forma de superação do luto pela avó. Ela foi pegando gosto pelo esporte, evoluindo, até que surgiu a vontade de fazer a Maratona do Rio. A pandemia da Covid-19 interrompeu os planos e em 2022 ela passou por outro processo de luto antes de retomar a corrida. Desde então, perdeu 25 kg, realizou o sonho de correr no Rio e deseja continuar firme e forte na corrida.