A meia maratona, que consiste em uma prova de 21 km, é um marco na vida de todo corredor. Alcançar a distância não é algo que acontece de uma hora para outra. Ao contrário, precisa ser feito aos poucos. O Corre que Dá, série especial do POPULAR sobre corrida de rua, mostra como funciona a transição de um corredor que já passou pelas provas de 10km e quer pular para os 21km.O goianiense Rafael Batista da Silva, de 25 anos, que é empresário e profissional de Educação Física, com foco em treinamento de corrida de rua, explicou que, de maneira simples, o atleta deve ser capaz de correr 10 km de forma confortável e possuir uma boa base de treinamento antes de iniciar um ciclo específico para a meia maratona.“Esse ciclo corresponde ao período em que os treinos passam a ser direcionados para os 21 km, com uma progressão gradual do volume de corrida, podendo chegar a longões de 16 a 18 km, dependendo do método de treinamento adotado e das características individuais de cada corredor”, falou.De acordo com Rafael, o período de preparação para os 21 km dura entre 8 e 12 semanas, equivalente ao período de dois a três meses. O profissional afirmou que os 21 km representam um momento em que o corredor passa a encarar o treinamento com mais seriedade.“Além da corrida em si, torna-se fundamental dar atenção à nutrição e ao fortalecimento muscular, tanto para melhorar o desempenho quanto para reduzir o risco de lesões. Toda essa preparação também acaba gerando reflexos positivos em outras áreas da vida, já que o corredor tende a desenvolver mais disciplina, organização e dedicação em sua rotina diária”, complementou.João Victor de Souza, de 22 anos, nascido em Goiânia, também é treinador de corrida. Ele acrescentou que os principais segredos para a transição dos 10 para os 21 km são ajustar a alimentação, trabalhar bastante fortalecimento voltado para a corrida e se preparar totalmente para o desafio mental, para que a mente forte torne a prova mais fácil.“A maior particularidade é a mudança do ciclo e da rotina, já que os longões de 12, 14, 16 e 18 km te fazem abdicar das sextas-feiras, mas um ciclo de meia maratona bem feito traz para o atleta a importância que é uma meia maratona. E claro, a mudança de rotina não é fácil, mas no final vale tudo a pena”, opinou.João Victor afirmou que o tempo de transição dos 10 para os 21 km costuma variar muito de corredor para corredor. Em média, um atleta que começa do zero demora de dois a três anos para conseguir encarar uma meia maratona de maneira confortável e sem dores, pois “o intuito da corrida tem que ser esse, satisfação no que está fazendo e sendo entregue”. Para um corredor acostumado aos 10 km, a preparação pode durar até um ano.“A média é de um ano para um corredor ativo e três anos para um corredor com mais dificuldade e menos resistência. De maneira bem feita e com treinos bem estruturados e entregues, dá para encarar os 21 km, mas fazendo sempre acompanhamento com o treinador nos longões para saber os feedbacks, tanto os negativos, como dores, quanto os positivos, com o ritmo encaixado.”Nascida em Xinguara (PA) e moradora de Goiânia desde os 3 anos, a advogada Thayse Rodrigues da Silva pratica corrida desde 2014. Ela começou a correr por causa de um Teste de Aptidão Física (TAF) para concurso público, mas também porque buscava melhorar a saúde e perder peso.Na época, Thayse não conseguia correr 1 km sem caminhar. Com o tempo, a corrida a ajudou a ganhar condicionamento físico e adotar hábitos mais saudáveis.“Minha trajetória teve períodos de maior e menor intensidade. Houve momentos em que precisei reduzir os treinos por questões familiares e compromissos da vida, mas nunca me afastei completamente da corrida. Em 2017, após a perda da minha avó, que me criou desde a infância, a corrida também passou a ser uma importante ferramenta de equilíbrio emocional”, comentou a atleta.Atualmente, aos 37 anos, ela vive a corrida de forma mais estruturada e intensa do que em qualquer outro momento da vida. A corrida representa saúde, qualidade de vida e superação. Thayse participou principalmente de provas de 5 e 10 km durante aproximadamente dez anos, até migrar para a meia maratona em 2025.“Conquistei alguns pódios nesse período, mas eles nunca foram meu objetivo. Sempre corri buscando evolução pessoal, superação e bem-estar. Hoje, acredito que a corrida me ensinou que a disciplina nos leva muito mais longe do que imaginamos.”A primeira vez que Thayse correu uma prova de 21 km foi na 16ª Meia Maratona de Goiânia, no ano passado. Segundo ela, a transição dos 10 para os 21 km exigiu mais atenção à alimentação, hidratação, fortalecimento muscular e recuperação.“A transição aconteceu gradualmente. Primeiro, me senti confortável nos 10 km, depois consegui completar 15 km em treino e passei a acreditar que os 21 km seriam possíveis. Durante a prova, vivi momentos difíceis. No quilômetro 14, pensei em desistir por causa de dores nas pernas. No quilômetro 17, chorei e achei que não conseguiria terminar. Mas o incentivo de outros corredores e a vontade de superar aquele desafio me fizeram continuar”, contou.Segundo Thayse, cruzar a linha de chegada foi uma das experiências mais emocionantes de sua vida. Agora, ela está em preparação para a primeira maratona (42 km) e, desde janeiro, está treinando para conseguir melhorar o rendimento nos 21 km, conquistar o melhor tempo na distância e terminar entre as 50 melhores colocadas em sua segunda meia maratona.