Londres – Neymar faz hoje, diante do Flamengo, às 16 horas, no estádio Mané Garrincha, em Brasília, pela 1ª rodada do Brasileiro, despedida do Santos. Na madrugada de ontem, em Londres, a transferência do craque para a Espanha acabou envolvendo até mesmo o presidente da Uefa, Michel Platini, e o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, e escancarou a batalha entre clubes, jogadores e fundos de investimentos. Isso porque o Real Madrid, em uma ofensiva para impedir o contrato entre o jogador brasileiro e o Barcelona, optou por buscar apoio entre os investidores do jogador. O time catalão reagiu buscando orientação dos principais cartolas mundiais para impedir o negócio. O anúncio oficial da contratação deve ocorrer hoje, com uma declaração do próprio presidente do Barcelona, Sandro Rosell. Fontes do clube catalão confirmaram que a família de Neymar e o próprio jogador já demonstraram interesse em jogar no time de Messi, inclusive por contar com um pré-contrato avaliado em 10 milhões de euros (R$ 26,5 milhões). Na sexta-feira, a diretoria do Santos revelou que aceitou as propostas feitas por dois clubes – Barcelona e Real Madrid – e deixou a definição sobre o futuro nas mãos de Neymar. Ele, então, participou de reunião na Vila Belmiro, mas não revelou qual é o seu futuro clube. Investidores A estratégia do Real Madrid foi a de buscar convencer não a família, mas os investidores de que ganhariam mais oferecendo o atleta ao time de Florentino Perez. No total, o time de Madri ofereceria 140 milhões de euros (R$ 371 milhões) pelo jogador, superando os gastos que tiveram com o português Cristiano Ronaldo. O salário seria de 10 milhões de euros (R$ 26,5 milhões) por ano, mais que os 7 milhões de euros (R$ 18,5 milhões) do Barça. Temendo ver o contrato escapar entre os dedos, a direção do Barcelona fez uma verdadeira ofensiva política e legal. Rosell estava em Londres para as reuniões da Uefa e para a final da Liga dos Campeões. Em um luxuoso hotel no centro de Londres, abandonou toda sua agenda para cuidar exclusivamente do caso do brasileiro. Já era madrugada quando o debate entre alguns dos principais cartolas do planeta rodava em torno do futuro de Neymar. O argumento do Barcelona era de que, ao negociar com os agentes da DIS – o fundo que tem parte do passe de Neymar –, o Real Madrid poderia estar criando uma polêmica jurídica internacional. Rosell recebeu de Platini a garantia de que acordos devem ser negociados entre os clubes e não com os investidores. Valcke ainda teria declarado ao dirigente catalão que, se o Barcelona fechasse acordo com o Santos, isso seria suficiente para a Fifa reconhecer a transferência e que a ação do Real Madrid seria ignorada. Com apoio legal e político, o Barcelona pressionou os investidores a aceitar a transferência e alertou que, caso optassem por outra via, processos legais seriam lançados e que uma derrota significaria que não teriam qualquer lucro com a venda. Neymar fez mistério, mas, em Londres, a cúpula do Barcelona já comemorava e insistia que o acordo está assinado.-Imagem (Image_1.329855)