O Brasil termina bem mais cedo do que se esperava a participação na Copa do Mundo. Num domingo (5) marcado por sucessivos erros, individuais, coletivos e de comando técnico, a seleção brasileira foi eliminada pela Noruega no Estádio MetLife, em Nova Jersey. Vitória dos vikings, por 2 a 1, numa partida que também entra para a história dos noruegueses, classificados às quartas de final.Na quarta participação em Mundiais, a equipe nórdica avança depois de repetir a vitória conquistada há 28 anos, na Copa da França (1998), também por 2 a 1 sobre a seleção brasileira. A diferença é que, antes, o Brasil foi derrotado na 1ª fase, reagiu e chegou à final.Aquela geração do Brasil tinha Taffarel, Ronaldo, Rivaldo, Roberto Carlos, Bebeto, Cafu, Dunga e Aldair, entre outros. Agora, o Brasil está eliminado do Mundial com uma geração opaca de jogadores, como poucas vezes se viu na história do futebol nacional.O Brasil chega ao sexto Mundial, desde o último título (2002), levando para casa a eliminação por uma equipe europeia. Agora, um pouco mais cedo, nas oitavas de final. A última queda tão precoce havia sido em 1990, também nas oitavas, mas com menos participantes na competição e para a Argentina. Agora, ocorre diante de uma seleção que não está na prateleira superior da Europa.O Brasil mostrou muitos erros e eles custaram caro. Não faltaram chances de gol para abrir a vantagem no jogo em que o adversário atuava mais aberto, deixava os espaços.O primeiro sinal de que algo estava fora do lugar foi no início da partida, quando Bruno Guimarães desperdiçou aos 13 minutos o pênalti sofrido por Matheus Cunha. Até aquela altura da Copa, Bruno Guimarães era o mais regular jogador brasileiro numa equipe formada às pressas, nos treinos e nos jogos dentro do Mundial.O goleiro Nyland se agigantou e salvou a Noruega outras vezes. Então, a conta ficou mais elevada. Endrick, o queridinho da torcida brasileira, ampliou o saldo negativo do Brasil. O jovem jogador, oriundo de Taguatinga (DF), não pode pagar sozinho pelo preço da eliminação. O detalhe é que Endrick não foi Erling Haaland ao chegar livre na área adversária.Indeciso, Endrick tirou do goleiro, mas sem a direção precisa para colocar o Brasil à frente no começo do segundo tempo, um minuto após entrar no lugar Matheus Cunha. Endrick fecha o primeiro Mundial dele sem repetir o brilho dos tempos do Palmeiras e do Lyon (França).O terceiro ato, que empurrou a equipe brasileira ao caminho da derrota, saiu das decisões equivocadas daquele que chegou ao País bem maior do que a geração que comandou neste Mundial - o italiano Carlo Ancelotti. O técnico escolhido pela CBF para levar o Basil às fases mais decisivas cometeu erros que levaram o Brasil rumo à eliminação. O treinador não acertou nas substituições. Para quem chegou bem acima do nível dos técnicos brasileiros, o Mister deixa a Copa com a impressão negativa.Éderson, Endrick e Danilo Santos não melhoraram o time taticamente. Neymar, que entrou pela segunda vez nesta Copa, fechou a participação bem longe do que dele se esperava. O último ato de Neymar, em campo, foi deslocar o goleiro na segunda penalidade que os brasileiros tiveram. Tarde demais. Neymar encerra o ciclo na seleção longe de se tornar o protagonista de uma geração na qual o talento dele sobra.Por fim, brilhou o carrasco brasileiro. Haaland é um gigante de 1,95m e 25 anos. Ele teve quatro chances no jogo. Duas foram suficientes para eliminar o Brasil. Na primeira delas, ganhou o duelo na disputa com Gabriel Magalhães, que não conseguiu evitar o gol de cabeça de Haaland. No lance seguinte, o norueguês chutou forte e rasteiro na frente do zagueiro e de Danilo. Assim, em duas remadas fortes, pelo alto e no chão, Haaland mandava o Brasil mais cedo para casa. De nada adiantou o gol de pênalti de Neymar no último lance.A geração de Alisson, Casemiro, Danilo e Neymar não fez história. O futebol nacional se apequena novamente, não só diante do gigante Haaland, mas numa sucessão de erros cometidos em anos de má gestão, perda da identidade e da irreverência do futebol nacional, trabalho ruim na base, violência nos estádios, baixo nível técnico de jogadores e técnicos.