A Espanha mostrou mais uma vez que tem “algo a mais” quando encara a França em duelos eliminatórios. Em partida dominante, com e sem a bola, com direito a gritos de “olé” nos minutos finais, os espanhóis bateram os franceses por 2 a 0, nesta terça-feira (14), pela semifinal da Copa do Mundo e vão disputar a segunda final do Mundial em sua história.Nos últimos anos, a Espanha tem sido a seleção que conseguiu bater de frente e vencer a França, considerada por muitos a seleção com melhor futebol desde a Copa do Mundo de 2018, na Rússia. Nesta terça-feira, as seleções fizeram uma espécie de “final antecipada” do Mundial, e os espanhóis foram dominantes.Com a bola, a Espanha fez o seu tradicional estilo de jogo. Dominou a posse, controlou o jogo com troca de passes, encontrou espaços e abusou de jogadas com rápida trama, principalmente pelo lado esquerdo do ataque.Sem a bola, o jogo espanhol também foi avassalador. Todas as jogadas da Espanha contavam com intensidade, concentração e muita proteção aos espaços.Em alguns momentos, variou a altura das linhas defensivas e pressionou a França no campo de ataque. Limitou espaços, forçou lances de pressão sobre o portador da bola, contou com a atenção do goleiro Unai Simón, que esteve alerta em lançamentos na direção de Mbappé, e o ponto chave foi anular os principais jogadores franceses. Artilheiro e líder em participações em gols na Copa do Mundo, Mbappé foi anulado pela forte marcação da Espanha. O craque francês terminou o jogo sem dar uma finalização na direção do gol. A melhor chance dele na partida foi em uma cobrança de falta, que ele finalizou por cima do gol de Unai Simón. Mas a atuação apagada do francês não ocorreu apenas por um jogo ruim de Mbappé. A Espanha marcou forte no meio-campo e impressionou ao impedir os passes na direção dele. Com forte pressão pós-perda, muita aproximação junto aos adversários franceses, os espanhóis quase não sofreram em lances com que a França castigou outras seleções na Copa do Mundo.A Fifa premia o melhor jogador em todas partidas. Pedro Porro, autor do segundo gol da Espanha, recebeu o prêmio diante da França. A premiação, no entanto, poderia ter sido entregue para Dani Olmo, Rodri ou Oyarzabal. É um exemplo de como a atuação coletiva da Espanha foi superior ao futebol apresentado pelos franceses.Dani Olmo foi peça chave para quebrar a marcação francesa. O jogo da Espanha passou pelo meia, com direito a tabelas. Um desses lances gerou o segundo gol espanhol: Pedro Porro acionou Dani Olmo, aproveitou espaço na costa da marcação francesa e recebeu de volta para ampliar a vantagem que foi aberta após gol de Oyarzabal, depois de cobrança de pênalti.“Neutralizamos o adversário e o levamos para o nosso campo. O time foi sensacional. Ainda mais sem a bola. Os jogadores que entraram depois também foram impressionantes”, analisou o volante Rodri em entrevista à emissora LA 1, da Espanha.“Enfrentávamos uma das grandes seleções do mundo. Mas nós também somos. Esses jogadores sempre deixam tudo. Mostram dia após dia o seu talento, é um espetáculo vê-los jogar. Fazem tudo ser mais complicado para o adversário. Um orgulho ser espanhol, ter esse vínculo com todo o país. Chegamos assim e ficaremos assim”, acrescentou o técnico da Espanha, Luis De La Fuente.“A Espanha manteve seu plano de jogo, o estilo ao qual são fiéis: uma equipe que gosta de controlar a bola e o ritmo. A ideia era pressioná-los no campo de ataque para impedir que aquele ritmo lento e enganoso se estabelecesse, mas não conseguimos fazer isso. Houve muitos erros técnicos. Não conseguimos causar danos a eles quando tivemos a chance”, disse o atacante Mbappé na zona mista ainda no estádio em Dallas, nos Estados Unidos.A classificação da Espanha à final da Copa do Mundo reforça o bom momento que a equipe espanhola vive e principalmente diante da França.Os espanhóis fecharam a trinca de vitórias contra a França em semifinais. Em decisões nos principais torneios que as seleções disputam, os espanhóis levaram a melhor pela terceira vez contra os Le Bleus. Todas as classificações foram na semifinal: Eurocopa de 2024, Liga das Nações em 2025 e a Copa do Mundo de 2026.A eliminação na semifinal da Copa do Mundo marca o fim da era do técnico Didier Deschamps no comando da França. Depois da disputa do 3º lugar, que será no próximo sábado (18) contra o perdedor do confronto entre Inglaterra e Argentina, o treinador de 57 anos deixará o comando da seleção francesa depois de 14 anos. Ele foi campeão da Copa de 2018. O favorito para assumir seu lugar é o ídolo Zinedine Zidane.A Espanha também igualou o recorde de mais partidas invictas do futebol de seleções. Os espanhóis não perdem há 37 jogos, sendo 28 vitórias e 9 empates. A sequência começou no empate por 3 a 3 com o Brasil, ainda comandado por Dorival Júnior, no dia 26 de março de 2024. A última derrota foi por 1 a 0, quatro dias antes (22 de março), para a Colômbia em amistoso.A campanha da Espanha está ao lado da registrada pela Itália, entre 2018 e 2021. No próximo domingo (19), contra Inglaterra ou Argentina, os espanhóis poderão superar esse registro e se isolar com o recorde de invencibilidade de seleções.Essa será apenas a segunda final de Copa do Mundo na história da Espanha. Quando foi à decisão, venceu. Em 2010, os espanhóis conquistaram seu único título mundial após superar a Holanda na final, com gol de Iniesta na prorrogação.