Uma vida nas quadras, longe da família, de dedicação ao voleibol. A notícia da aposentadoria do ponteiro Dante não foi uma surpresa para os pais, irmãos e amigos do jogador, que aos 37 anos, decidiu deixar a modalidade ao término da Superliga 2017/18. Eles souberam da decisão do goiano cerca de uma semana antes do anúncio oficial, feito por ele na quarta-feira.Os familiares do atleta do Taubaté, que moram em Itumbiara, cidade natal de Dante, aguardam a chegada do campeão olímpico, prevista para o meio do ano. “Agora não vai faltar tempo para ficar próximo da família, vamos para a fazenda. Não vai faltar trabalho com o gado pra ele. No final de cada expediente podemos providenciar churrasco com cerveja gelada”, brinca o irmão mais velho de Dante, o pecuarista Tiago do Amaral.Segundo a mãe do ponteiro goiano, Emiliana do Amaral, ela sentia que a aposentadoria do filho estava próxima ao notar que nos jogos realizados na Superliga. Dante estava com aparência cansada e jogando com dores. “O coração fica triste porque passou tão rápido. Foram 22 anos e parece que começou ontem. Ao mesmo tempo, fico mais aliviada por saber que ele está bem e feliz pela decisão”, salientou a dona de casa de 58 anos.Durante a entrevista em que anunciou aposentadoria, Dante disse que quer o título da Superliga. “Pedi a eles (companheiros de time), vocês têm o dever de me dar esse presente (risos). É uma brincadeira, mas acho que vai ser um algo a mais para esse grupo. É um algo a mais para mim também”, disse o jogador, que não revelou quais são seus planos para o futuro e só parou de jogar porque seu “corpo pediu”, explicou Dante, que sofreu com lesões durante a carreira.O título inclusive, se for conquistado pelo Taubaté, será bem-vindo para o pai do ponteiro, o professor de Educação Física, Roberto do Amaral, mais conhecido como Careca. “Ele está jogando em alto nível ainda, acho que daria para jogar mais dois anos. Vai ser difícil, mas tem que correr atrás de mais esse título”, avisou Careca, de 63 anos.Fora das quadras, Dante é descrito como um homem amoroso, preocupado com a família, tranquilo e em alguns momentos calado. “Nesse período de 22 anos, eu sempre liguei um dia sim e outro não. Algumas vezes, eu ficava três dias sem falar com ele e só ligava para escutar a voz dele, mas ele sempre se importou conosco e procurou estar próximo”, conta dona Emiliana.Entre os amigos de infância, Dante se tornou um exemplo. “Era impressionante, desde criança ele já tinha um diferencial entre nós”, revela Sandro Martins, de 37 anos, que é vizinho dos pais de Dante e jogou, na infância, vôlei, handebol, futsal e basquete com o ponteiro.O professor de Educação Física, Márcio Viana, acredita que agora não faltará tempo para Dante curtir os amigos e família em Itumbiara. “É um cara que merece tudo de bom e tenho certeza que vai curtir muito a família dele”, disse o amigo de 40 anos, que enfrentou Dante nos tempos de escola em partidas de handebol, futsal e vôlei.A última competição que Dante disputará como jogador de vôlei é a Superliga. O Taubaté, que disputa os playoffs do torneio. Neste domingo, a equipe do goiano venceu o 1º jogo das quartas de final contra o Minas Tênis, por 3 a 0, e ele foi eleito o melhor em quadra, após marcar 10 pontos.-Imagem (Image_1.1488894)