-Imagem (1.1897642)Longe de casa e da família desde os 13 anos, em busca do sonho de ser jogador de futebol profissional, o zagueiro Paulo Eduardo, de 17 anos, se sente privilegiado ao poder contar com torcida especial durante o Mundial sub-17, que terá Goiânia como uma das sedes. Natural de Anápolis, o garoto, caçula entre quatro irmãos, terá pais, avós, irmãs, tios, amigos e o sobrinho, que também é afilhado e xodó, nas arquibancadas durante jogos da seleção brasileira em Goiânia e Brasília.Convocado pelo técnico Guilherme Dalla Déa para o Mundial, o garoto deu seus primeiros passos no futebol ainda muito pequeno na escolinha do Sesc, em Anápolis. Foi incentivado, no início, pela prima Ludmila Oliveira, de 30 anos, que é considerada por Paulo Eduardo como uma irmã.“Eu comecei a treinar quando tinha 10 anos, não tinha turma só para meninas. Passei a levar o Paulo (Eduardo) comigo e ele tomou gosto”, lembra Ludmila. Ela é considerada irmã mais velha e fala do caçula com tom protetor e de ternura.Paulo Eduardo foi criado com a família toda morando na mesma casa. Com os avós, Orlandina de Jesus e Antônio Ferreira, além da tia Elizabeth e do tio Mário Oliveira, os pais Denílson Godinho e Elaine Oliveira, a irmã Lanna Lara e as “primas-irmãs” Ludmila Oliveira e Kamila Christina. Por ser o caçula da casa, todos o tratam com muito carinho e admiram o esforço que faz para se tornar jogador e realizar seu sonho de infância.A avó Orlandina garante que Paulo Eduardo não era um menino muito levado, gostava de estudar e não largava a bola para nada. “Sempre foi um menino muito caseiro, mas também quebrava tudo aqui no quintal de casa jogando bola”, brincou dona Orlandina, que sente saudade do neto. Ele deixou esse ambiente de afeto para ir atrás do sonho e se mudou para Belo Horizonte, após um olheiro do Cruzeiro ver talento no garoto quando ele ainda treinava no Anápolis.Representante goiano na seleção brasileira que vai ao Mundial, Paulo Eduardo gosta de futebol desde os primeiros anos da infância, é o que lembrou Denílson Godinho, pai do jogador. O garoto, apesar de ter jogado no Anápolis, torcia pela Anapolina e até catava latinhas na cidade para juntar dinheiro e ir aos jogos da Rubra no Estádio Jonas Duarte.Hoje no Cruzeiro, o atleta passou por um período complicado assim que foi para Belo Horizonte pela primeira vez. Longe da família, Paulo Eduardo quis voltar para casa e deixou a Raposa. “Ele era muito novo, foi sozinho de ônibus para Belo Horizonte. Ficamos daqui rezando”, lembrou Denílson.Após o retorno para casa, Paulo Eduardo foi incentivado pela família. “Falei para ele que não deveria desistir do sonho, pois ele já tinha me dito que queria muito dar uma casa para a mãe dele. Ele colocou isso na cabeça e conseguimos que ele voltasse. Passado um tempo, ele já não queria mais pensar em voltar”, lembrou a tia Elizabeth.Consolidado na equipe sub-20 do Cruzeiro, apesar de ter idade para jogar na sub-17, Paulo Eduardo disputa espaço para ser titular e sonha em ser campeão do mundo com a seleção brasileira - o último título do Brasil nas Copa do Mundo da categoria foi em 2003. O garoto de Anápolis terá incentivo extra vindo da arquibancada, porque a família estará firme e forte nos jogos e já organiza caravanas para fazer com que Paulo Eduardo sinta de perto o carinho que o cercou desde sempre. Lesão quase comprometeu convocação do anapolinoA convocação para o Mundial sub-17 foi recebida pelo zagueiro Paulo Eduardo com muita emoção e uma sensação de objetivo alcançado. O jogador sofreu uma lesão no início da temporada e temeu não estar apto para defender a seleção brasileira no torneio em casa.“Eu falei para ele ter fé, não desistir, que ia dar tudo certo”, lembra Kamila Christina, “prima-irmã”, com voz embargada e olhos marejados ao lembrar da superação de Paulo Eduardo.“Tinha sido convocado para disputar o Sul-Americano (no Peru), mas, dois dias antes da viagem, machuquei o joelho. Fui cortado. Pelo grau da lesão, após o primeiro exame, indicava que eu teria de fazer cirurgia e não daria tempo de ir para o Mundial. Mas não foi necessário, fiquei dois meses parado e coloquei como meta para minha vida ir ao Mundial”, explicou Paulo Eduardo, que comemorou muito quando viu seu nome na lista do técnico Guilherme Dalla Déa. “Chorei quando ele deu a notícia”, contou Orlandina de Jesus, avó do garoto.Paulo Eduardo acredita que a seleção brasileira cumprirá um bom papel no Mundial como anfitriã e espera que possa conquistar o título.“Nossa equipe vem forte, temos nos preparado bem durante esse período e tenho certeza que faremos um bom Mundial. É um campeonato difícil, mas nossa equipe está focada e nosso objetivo principal é ser campeão mundial”, salientou.O Brasil estreia na competição no dia 26 de outubro contra Canadá, em Brasília. A equipe enfrenta Angola em Goiânia no dia 1º de novembro.