O meia Guilherme, de 34 anos, é um daqueles casos de jogador brasileiro que faz a carreira no exterior. Com o passaporte carimbado pelas passagens por cinco países diferentes (Portugal, Itália, Turquia, Polônia e China), Guilherme Marques foi contratado pelo Atlético-GO para ser referência no elenco, suprir a carência de um bom camisas 10 e ser decisivo no projeto do clube para 2026.A primeira experiência de Guilherme Marques no futebol brasileiro se deu num dos rivais do Atlético-GO no futebol goiano: o Goiás, em 2023, quando disputou a Copa Sul-Americana e Série A (o clube foi rebaixado) com boas atuações, sete gols e capacidade na armação, na conclusão e na bola parada.Como já treina no Dragão, não será surpresa e até uma ação de movimentação do clube junto à torcida atleticana a estreia de Guilherme Marques no clássico contra o ex-clube, no próximo domingo (18), no Estádio Antônio Accioly.No elenco, há outros dois meias canhotos e mais jovens - Lima, de 20 anos, e Jader, de 22 anos - e outro destro, Ariel, de 27 anos. A disputa está aberta numa posição carente. “O futebol está em constante evolução e mudança. Aí, vai muito de acordo com o que o treinador entende da ideia de jogo. Sou um 10, mas eu também posso fazer um 8 ou jogar aberto, pelas pontas”, descreveu Guilherme.O entendimento tático é o diferencial do jogador, é “o pulo do gato”, na visão de Guilherme Marques. “A grande ideia hoje do atleta, o pulo do gato, na verdade, é entender o contexto de cada equipe e aquilo que o jogo está pedindo. Isso vai depender muito de cada treinador. Tem treinador que joga com o 10, tem o que não joga. É fazer o entendimento do que o jogo está pedindo e nele se adaptar”, analisa o 10 recém-chegado ao Dragão e o quarto Guilherme no elenco, que tem os xarás Guilherme Romão e Guilherme Lopes (laterais) e o Guilherme Henrique, jovem de 19 anos que veio da base do Corinthians e é chamado no clube de GH.O estilo cadenciado e o bom uso da perna esquerda fizeram Guilherme Marques se adaptar às outras escolas de futebol, como a europeia, de muita tática e jogo duro. Ele contou que recebeu três propostas de naturalização - em Portugal, na Polônia e na China -, com a possibilidade de jogar por uma daquelas seleções nacionais. No futebol internacional, Guilherme Marques conquistou oito títulos antes de chegar ao Goiás, em 2023. Pelo alviverde, marcou três gols na cobrança de pênaltis e, para fugir à boa pontaria na esquerda nos lances de bola parada, usou muito bem a direita para fazer quatro gols. Um deles, de fora da área, surpreendeu o goleiro João Paulo (Santos), na Vila Belmiro. Se o Goiás não foi bem na elite, Guilherme Marques mostrou que voltar ao País natal foi prazeroso e chegou a ser sondado por outros clubes. Mas ele retomou a vida internacional, se transferiu para a China e teve uma lesão grave no joelho, algo que o fez ficar inativo durante mais de um ano.“Saí muito jovem do País, com 16 anos. Construí a minha carreira toda fora. Eu só regressei ao Brasil em 2023 (para o Goiás) e, ano passado, no Mirassol. Isso me deu uma experiência, uma bagagem bacana. A minha cidade (Três Rios-RJ) é muito pequena (78.346 habitantes, segundo o censo do IBGE, em 2022) e acaba que você vai servindo de espelho para os mais jovens. Isso é muito bacana”, destacou o jogadorA contusão no futebol chinês ocorreu em 2024. Período longo de recuperação após a cirurgia. O retorno se deu no fim de 2025, em setembro, quando aceitou proposta para atuar no surpreendente Mirassol. Ele não ficou no clube que foi a sensação do futebol nacional em 2025 - o Mirassol foi 4º colocado na estreia na Série A.Agora, no terceiro clube dele no País, Guilherme deseja agregar com a bagagem adquirida. “A experiência ajuda em vários sentidos. Tanto gesticulando, falando e tentando orientar os mais novos, mas liderando pelo exemplo. Tento liderar com boas atitudes, boas palavras e isso é muito importante para um grupo jovem, como o nosso.”