A paixão por futebol e especialmente pela Copa do Mundo leva alguns colecionadores a guardar memórias e manter o fascínio por itens históricos de Mundiais. Em Goiânia, especialistas no assunto aumentam a coleção todos os anos e guardam em araras, gavetas e guarda-roupas camisas históricas da seleção brasileira e de outras equipes que marcaram época na Copa do Mundo.O corretor de imóveis Riky Mizukami ostenta uma coleção com mais de 300 camisas. No mundo dos colecionadores, sempre há foco na busca por itens. Tem que prefira ter camisas só de clubes, outros que focam em camisas de décadas passadas, apenas seleção brasileira e por aí vai.O goiano de 42 anos começou por clubes: Vila Nova, seu time do coração, e depois com o PSG, por causa de uma relação que criou com a equipe francesa. Quase metade da coleção dele é do atual campeão da Liga dos Campeões. Com o tempo, ele também inseriu mantos utilizados em edições da Copa do Mundo e coleciona histórias para contar.“Só da seleção brasileira, são 15 camisas. Tenho camisa do Thiago Silva, Alisson, Salvinho, do Müller autografada por ele, Vini Jr, aquela camisa preta que lançaram como ação de combate ao racismo. Camisas da Copa de 1990 e uma do modelo de 1994, mas que foi utilizada em jogo pelo Dunga em 1995”, contou Riky Mizukami, que não se prende apenas à seleção brasileira.Descendente de japoneses, o goiano tem uma camisa do Japão da versão utilizada na Copa de 1998, quando a seleção asiática fez sua estreia em Mundiais. Também tem modelos de camisas de Roberto Baggio de 1994, de David Beckham de 1998, da Itália de 2006, e de Lionel Messi de 2022.“Uma bem legal é de Camarões. Em 2002, eles lançaram uma camisa regata para usar na Copa. A Fifa proibiu. Eles tiveram que comprar umas camisas pretas, cortar e costurar na camisa regata para jogar a Copa. Eu tenho uma versão dessa camisa”, acrescentou o colecionador.Outro item da vasta coleção que o goiano guarda com carinho é uma camisa de treino da Argentina. Em 2021, a atual campeã do mundo passou por Goiânia para a disputa da Copa América. Na época, os estádios ainda estavam fechados para público por causa da pandemia da Covid-19.“Teve um treino da Argentina no CT do Atlético-GO. Eu estava trabalhando no dia, liguei para minha esposa que tem um tio conselheiro. Falei para dar um jeito de me colocar lá dentro. Tinha uma segurança fenomenal lá no dia. Fingi que era um conselheiro, que tinha que pagar um boleto no clube e consegui entrar. Estava indo na direção do campo, onde o Messi estava, e um segurança saiu gritando que eu não podia seguir naquela direção. Fui para a tesouraria, dei um migué e consegui chegar próximo de um lugar que o Messi passaria. Foi quando consegui o autógrafo na camisa”, contou Riky Mizukami. O goiano coleciona apenas camisas, mas o mundo dos colecionadores é livre. Para o gerente comercial Gabriel Santos o atual foco é seleção brasileira. O goiano de 44 anos possui mais de 70 camisas em sua coleção, que também engloba itens de times para os quais ele torce (Goiás e Corinthians) e outros clubes.Desde que começou a colecionar, a partir de 2006, Gabriel Santos não se restringiu a camisas. Ele tem álbuns de figurinhas, tênis, bolas, réplicas de taças e tem o plano de iniciar uma coleção de chuteiras de jogadores.Em relação a Copa do Mundo, todos os itens da coleção são camisas da seleção brasileira, álbuns de figurinhas e réplicas de bolas utilizadas em Mundiais. “Eu comprava e usava no começo, a primeira camisa da seleção brasileira foi da Copa de 2006. Depois, parei de usar. Todas as outras são novas e sem uso. Das atuais, eu tenho as três, a mais especial é a azul por ser da linha Air Jordan. É a que eu mais gostei”, contou Gabriel Santos, que não possui apenas duas camisas da seleção brasileira utilizadas em Copas: 2010 e 1966.“A primeira Copa que eu vi o Brasil ganhar foi a de 1994. Quem viveu esse ano, eu tenho plena certeza que sabe o momento que o Brasil foi campeão. É a camisa que eu mais tenho carinho junto com as duas de 2002. Eu adquiri, são originais. A de 1994 foi muito difícil de encontrar”, acrescentou o gerente comercial.Na coleção, apenas duas camisas não foram utilizadas em edições da Copa do Mundo: 2004, quando o Brasil foi campeão da Copa América e jogou com um modelo que se tornou histórico chamado “Total 90”, e das temporadas de 2024-2025, em que o Brasil disputou partidas das Eliminatórias para a Copa do Mundo.Por segurança, os colecionadores evitam falar sobre valores investidos em camisas histórias, mas eles buscam peças em sites de marcas, leilões online e garimpo em grupos em redes sociais.Gabriel Santos ainda tem bolas utilizadas em edições da Copa do Mundo em sua coleção. “Tenho versões das bolas desde 1950. Na exposição (leia mais abaixo), estão apenas bolas desde 1970 até a última Copa. Eu adoro olhar a evolução. Até 1994 era tradicional, preta e branca, a partir da França em 1998 os designs começaram a evoluir”, concluiu Gabriel Santos, que também coleciona álbuns de figurinhas desde a Copa de 1990.A dupla não gosta só de colecionar itens da Copa do Mundo. No Mundial, a torcida é pelo hexa da seleção brasileira e a confiança está alta.“Estou muito empolgado. É fato, esse ano vem o hexa. Eu vi que o Neymar está machucado, mas ele vai se recuperar. Fora de campo, no vestiário, vai ser importante. Vai contribuir muito só com a presença. Não acho que ele vai jogar os primeiros jogos, mas a figurinha dele será importante. Pelas entrevistas que vi do Ancelotti, ele vai ser reserva e entende isso”, opinou Gabriel Santos, que gosta de assistir aos jogos com a família e vai acompanhar o Mundial em casa.“Eu sou um cara que assiste jogos da Série C e Série B. A Copa do Mundo é a cereja do bolo. Se tiver jogo do Irã, 1h, eu vou assistir. Esse ano eu acho que vai (a conquista do hexa). Tudo que aconteceu em 2002 está acontecendo agora, eu sinto que agora vai. Estamos atrás de França, Inglaterra, Espanha e até da Holanda, mas é um campeonato de tiro curto. É acertar a veia e ir. Ancelotti está acostumado com formato de mata-mata, ele sabe o caminho. Se organizar o Brasil, tem chance de ir longe”, salientou Riky Mizukami.ExposiçãoGabriel Santos sugeriu e montou no local em que trabalha uma exposição da sua coleção de itens da seleção brasileira e da Copa do Mundo. Os materiais da sua coleção particular estão expostos na Central de Decorados Opus Ricardo Paranhos. A entrada é gratuita de segunda a sábado, das 8h às 20h.Aos sábados, a partir das 8h e durante todo período da manhã, o espaço é utilizado também para trocas de figurinhas do álbum da Copa do Mundo.