-Imagem (Image_1.2150361)O apelido de Neneca é uma das marcas do futebol brasileiro, alcunha que um jovem de 21 anos carrega. Hugo Souza, goleiro do Flamengo, é uma das gratas surpresas na temporada e o segundo rubro-negro na história do clube carioca que detém a homenagem ao ex-goleiro Hélio Miguel, campeão da Série A em 1978 pelo Guarani. O Neneca mais velho e “original” da Gávea é Welesley Antonio Simplício, goiano de 53 anos, que acredita que o ter personalidade será fundamental para o camisa 45 se recuperar do erro cometido nas quartas de final da Copa do Brasil, contra o São Paulo.Neneca errou na saída de bola no jogo de ida contra o time paulista, na quarta-feira (11), e o atacante Brenner marcou o gol da vitória tricolor. No dia seguinte, o goleiro foi às redes sociais e pediu desculpas à torcida flamenguista. “Isso será importante na carreira dele, precisa ter personalidade para superar adversidades. Erros vão acontecer na carreira de qualquer jogador, mas ter foco, personalidade e continuar trabalhando como está é o caminho para ele se recuperar”, comentou o preparador de goleiros, Neneca.“No meu modo de ver, ele (Hugo Souza) teria que ter atacado a bola e passado para o zagueiro (Léo Pereira), que estava do lado. A orientação é que sempre que puder, nunca levar a bola para o gol. Foi um erro na tomada de decisão. Não pode perder a personalidade e o jogo com o pé, sempre buscar a segurança. É o mais importante”, salientou o ex-jogador, que acompanha o atual goleiro do Flamengo desde 2018, quando o time carioca foi campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior.“Foi durante a Copinha que conheci o Hugo, tem boas características. Apesar de ser alto, é um goleiro rápido, bom reflexo e já demonstra muita qualidade. Aparenta ser focado e durante os jogos é possível perceber isso. Nas ações adversárias, o Hugo sempre está bem posicionado e pronto para reagir”, analisou Simplício, que mora no Qatar desde 2003 e como jogador fez a base no Goiânia, único clube que defendeu antes de acertar com o Flamengo, onde atuou entre 1984 e 1993.O apelido de Simplício e de Hugo Souza, Neneca, surgiu pelas semelhanças físicas de ambos com o ex-goleiro do paranaense, Hélio Miguel, que nasceu em Londrina. O “original” se tornou conhecido no futebol brasileiro, após completar 1.636 minutos sem sofrer gols quando defendia o Náutico. Jogou no Guarani, onde foi campeão brasileiro em 1978, além de ter atuado em equipes como Bragantino e América-MG. “Eu ganhei o apelido de Neneca quando joguei no Goiânia. E pude conhecer o Neneca, anos depois, quando joguei no Guarani, foi uma honra tê-lo na minha apresentação em 1993”, contou o ex-goleiro goiano.Hugo Souza, por sua vez, é natural de Duque de Caxias, Rio de Janeiro, tocava bateria na igreja que frequentava e recebeu o apelido de Neneca quando atuava, por ironia, no Vasco, principal rival do Flamengo. No time alvinegro, Neneca iniciou a base entre 2004 e 2007, no ano seguinte defendeu o Fluminense e em 2009 chegou ao time rubro-negro. Ele completou o período nos juniores, que teve oito títulos conquistados, incluindo a Copinha de 2018 e o Brasileiro Sub-20 no ano passado, superou a concorrência de César e Gabriel Batista, outros reservas no Flamengo e estreou no profissional no empate, por 1 a 1, com o Palmeiras, na 12ª rodada do Brasileirão.Para Simplício, o atual Neneca do Flamengo mostra potencial para ter uma carreira de glórias, sobretudo à frente da meta rubro-negra. Na opinião do ex-jogador, o jovem arqueiro rubro-negro possui características únicas.“A responsabilidade de jogar no Flamengo é grande, principalmente com os torcedores. Para ter sucesso, o Neneca precisa apenas continuar mostrando que é um profissional acima da média e respeitar o clube, algo que faz muito bem já. Dentro de campo e nos treinos ele precisa dar o melhor, sempre”, recomendou Simplício sobre os caminhos que o goleiro precisa seguir para se dar bem no Flamengo e na carreira.A expectativa do Neneca mais velho no jovem goleiro é tão grande, que para Simplício, Hugo Souza já mostra que pode ser um dos convocados para disputa do Mundial 2022, caso o Brasil se classifique. “Ele já mostrou que tem condições de poder estar na Copa do Mundo, tenho certeza que vai estar. Basta continuar trabalhando certo, como está. Ele vai aprender com erros até lá e se seguir mostrando personalidade poderá estar sim no Mundial”, opinou o preparador de goleiros, que foi campeão da Copa do Brasil (1990), Carioca (1991) e do Brasileiro (1992) pelo Flamengo.Herança do paiCampeão brasileiro, carioca e da Copa do Brasil pelo Flamengo, Welesley Antonio Simplício tinha desde cedo, em casa, a principal inspiração para se tornar goleiro de futebol. O Neneca goiano é filho do ex-jogador Ronaldão, campeão pelo Atlético-GO e Vila Nova, que morreu aos 81 anos, em agosto deste ano, após lutar contra um câncer (tumor no reto).A carreira de jogador durou até 2001, quando Neneca decidiu pendurar as chuteiras. Ele passou a trabalhar como preparador de goleiros, tendo início na profissão no Santos, passou pelo Goiatuba e Caldas Novas, antes de se transferir para o Qatar, em 2003, onde deu sequência a profissão.Para o goiano de 53 anos, o grande momento como atleta ocorreu quando defendeu o Flamengo - ele também jogou pelo Guarani, Madureira, América-SP, Portuguesa-SP, Pelotas, Bragantino, Noroeste e XV de Piracicaba (último clube).“Foi muito bom vencer a Copa do Brasil de 1990, que eu só não joguei a final (contra o Goiás), porque antes o Zé Carlos estava na Copa do Mundo. Contra o Goiás eu fiquei no banco, mas no geral fui privilegiado de ter participado do futebol em um época de glórias e craques”, disse Neneca, que acompanha jogos do time carioca quando possível (a diferença no fuso é de seis horas).“Eu tive o prazer de estar ao lado do Júnior, Andrade, Zico, Gaúcho, Marcelinho Carioca, Djalminha, Júnior Baiano, o Zé Carlos, grande amigo. Nós dividimos o quarto nas concentrações, aprendi muito com ele. Foi uma experiência única na minha vida, que tenho saudade grande”, salientou o preparador goiano, que é apenas um dos vários Nenecas espalhados na história do esporte brasileiro.Além do Neneca, goiano e do atual goleiro do Flamengo, o filho de Hélio Miguel, que é conhecido por ser o primeiro da história, também é chamado pelo apelido. Hélio Miguel Júnior é goleiro na base do Londrina, clube em que o pai é ídolo. Anderson Soares é outro “camisa 1” que ganhou a alcunha, ele jogou no América-MG, Santo André, em clubes do interior de São Paulo, entre eles o Guarani, onde o Neneca “original” foi campeão brasileiro.