Na renovada equipe da Anapolina, composta por jogadores pouco conhecidos no futebol goiano, mas que mostram potencial nas três rodadas iniciais da competição, um nome salta aos olhos, gera curiosidade e desperta as lembranças e comparações dos torcedores. O meia Roberto Baggio, que completou 30 anos no último dia 10, é referência a uma das personalidades mais lembradas do futebol italiano e, também, pelos brasileiros.No último sábado (17), Baggio marcou seu primeiro gol pela Anapolina, ajudando na vitória por 2 a 1 sobre o Goiatuba.Na Itália, Roberto Baggio é sinônimo de craque. Disputou três Copas (1990, 1994 e 1998), atuou pelos três grandes clubes do País (Milan, Juventus e Internazionale de Milão) com desenvoltura, é ídolo na Fiorentina e em outras equipes menores nas quais atuou.Roberto Baggio é um ídolo não só do futebol, mas do esporte. É uma grife, sinônimo de simpatia e discrição, pois parece avesso às aparições. No Brasil, tem a imagem associada à cobrança do pênalti na final da Copa do Mundo de 1994, no dia 17 de julho, em que o futebol brasileiro voltou a conquistar o torneio depois de 24 anos. Menos de dois anos depois, nascia em Macapá (AP) outro Roberto Baggio. O pai, o maranhense Roberto Carlos Santos da Costa, decidiu batizar um dos filhos com o mesmo nome do craque italiano. Como o xará, ele é meia e veste a camisa 10.“O meu pai é apaixonado pelo futebol. Ele é de São Luís (MA). Tentou ser jogador, mas não foi possível. Precisava trabalhar, mas nunca se desligou (do futebol). Sempre falou bem do Baggio e recebi o nome dele”, detalhou o camisa 10 da Xata, que conseguiu a segunda vitória no Estadual no sábado (17), e é a 3ª colocada do Goianão, com 6 pontos, atrás somente de Vila Nova e Atlético-GO.A paixão de Roberto Carlos, que chegou a atuar na base do Sampaio Corrêa-MA, não parou na escolha do nome do italiano para batizar um dos filhos. Outros dois irmãos de Baggio têm registros de famosos: Roberto Caniggia (mais velho) e Roberto Romário (mais novo). O trio de ataque da família, formado por Baggio, Romário e Caniggia, tem na torcida a irmã, Amanda Roberta. O pai utilizou o primeiro nome dele (Roberto) para associar aos craques para os filhos.“Quando estamos em casa, brincamos muito sobre isso. Gostamos de futebol. Meus irmãos jogam no futebol amador. Para o meu pai, é um sonho (ter o filho como profissional) que ele não realizou”, explica Roberto Baggio. A família dele mora em Laranjal do Jari (AP), depois de os pais migrarem de São Luís para o Amapá.Como nasceu depois de 1994 e era criança quando o xará ainda atuava, o jogador da Anapolina não pôde ver em ação o craque da Itália. Mas foi se interessando pela história e tudo o que Baggio significa para o futebol. “Já li muita coisa, procurei assistir a um documentário. Era um grande jogador. Sei que gosta de ficar mais quieto (Baggio é budista), mas fala do sonho de ter sido campeão”, conta o jogador da Anapolina, que está na segunda passagem pelo futebol goiano, pois foi jogador do Trindade na Divisão de Acesso de 2019. Ele tem no currículo também uma temporada (2017-18) na Eslováquia. “Saí muito jovem. Não tinha a experiência (para jogar no exterior). Mas foi válido.”Roberto Baggio se lembra que os pênaltis marcaram a carreira do ídolo, pois ocorreu em três Copas: 1990 (eliminado pela Argentina na semifinal), 1994 (vice, na derrota para o Brasil na final) e 1998 (caiu nas quartas de final para a França). Nestas três Copas, Baggio cobrou penalidades e só errou a batida contra a seleção brasileira. A Itália só se livrou da maldição dos pênaltis na final do Mundial de 2006, contra a França - a Azurra ganhou nos pênaltis por 5 a 3 após empate por 1 a 1 no tempo normal.O meia amapaense garante que não há problemas em herdar o nome do italiano. Segundo ele, as brincadeiras e gritos de torcedores se manifestam quando precisa cobrar um pênalti. “A torcida brinca, pega no pé, se lembra dele (Roberto Baggio). Mas não tem problema. E eu nunca errei pênalti”, garantiu o jogador. Pelos cálculos dele, deve ter batido e convertido sete ou oito cobranças. Na carreira, contabiliza cerca de 50 gols.Comparando os estilos, há algumas semelhanças e coincidências, além do nome. A camisa 10 é uma delas. A altura e o porte físico, também. O local preferido do campo é o lado esquerdo. O italiano foi letal na Copa de 1994, fazendo gols decisivos sobre Nigéria (oitavas), Espanha (quartas de final) e Bulgária (semifinal). Nestes jogos, geralmente dominava a bola no espaço vazio, limpava o lance e o concluía com precisão.“Ele tinha a chapada (toque colocado no canto) cheia de estilo. Era só dele. Um craque mesmo”, descreveu.É evidente que a carreira do brasileiro não tem a projeção do xará famoso. Mas, no ano passado, Roberto Baggio ganhou destaque na Série A-3, como melhor jogador da posição e campeão pelo Sertãozinho-SP. “Foi a minha melhor temporada”, contou. Por isso, ele continua o sonho de bater mais metas, como garantir a Anapolina nas fases decisivas do Estadual e garantir a Rubra na Série D, pois o clube não tem calendário nacional.Outro sonho é um dia ter a presença do pai, Roberto Carlos, num jogo dele como profissional. Segundo Baggio, pelas transmissões de TV isso foi parcialmente possível, mas de forma presencial, na atmosfera e adrenalina de um estádio, ainda não. Como registrar filhos com nomes de jogadores é um traço da família, Roberto Baggio também tem a intenção de repetir o gesto. Ele é casado com Beatriz, mas os dois ainda não têm filhos. “Não sei como vai se chamar, mas deve ser (nome) de um jogador”, explicou.