Para jogadores com história no futebol goiano, a eliminação do Brasil na Copa do Mundo e o maior jejum sem a conquista do título mundial não são motivos de vergonha, mas servem de alerta para os próximos anos e são motivos para reflexão profunda visando mudanças para o futuro.“O jejum não é motivo para ter vergonha. Seria se a seleção deixasse de competir ou não estivesse entre os favoritos. As seleções evoluíram física, tática e tecnicamente. Ganhar uma Copa é extremamente difícil, basta lembrar que várias potências passaram décadas sem conquistar o torneio. O jejum é longo e chama atenção, mas não deve ser tratado como vergonha, e sim como um sinal de que o futebol mundial mudou e está mais competitivo”, opinou o ex-volante Josué, que defendeu as camisas do Goiás, São Paulo e da seleção brasileira entre 2007 a 2010, incluindo o Mundial da África do Sul.Com a eliminação nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, após derrota para a Noruega, o Brasil vai fazer sua pior campanha em Mundiais desde 1990 (no máximo será o 9º melhor colocado) e vai completar, no mínimo, 28 anos desde o último título, em 2002.Na história da seleção brasileira, será o maior jejum sem a conquista do título da Copa do Mundo desde a primeira conquista. É o mesmo período que o Brasil viveu entre 1930 (primeiro Mundial) e o primeiro título em 1958.“Por sermos o país do futebol e pelos jogadores de altíssimo nível que temos, é algo para incomodar e trazer uma reflexão que provoque mudanças. O futebol está bastante nivelado. Muitos jogadores têm experiências de disputar grandes campeonatos contra grandes jogadores. As seleções estão cada vez mais organizadas e com possibilidade de vencer qualquer adversário”, falou o ex-volante Fernando Reges, cria do Vila Nova, com passagens por clubes como Porto, de Portugal, Manchester City, da Inglaterra, Sevilla, da Espanha, e campeão sul-americano sub-20 com o Brasil em 2007.Uma eliminação do Brasil em Copas também costuma trazer à tona diversos temas que geram debates. Dois dos atuais são: por qual motivo Vini Júnior não cobrou o pênaltis desperdiçado por Bruno Guimarães, enquanto o jogo estava empatado sem gols, e se valeu a pena convocar o atacante Neymar, que praticamente não atuou no Mundial e cuja entrada na derrota para a Noruega influenciou na queda de rendimento da criação de jogadas e do ataque brasileiro.“Talvez o rendimento do Vini não estivesse tão bem nos treinos, mas ele é nosso principal jogador. Em todos os jogos, são feitas listas de cobradores, penso que ele não estava entre as prioridades. O treinador conhece ele. Querendo ou não, foi erro do treinador. Tinha de ser o Vini Júnior. Ele tinha de pegar a bola e bater, mas respeitou a escolha do treinador”, disse o atacante Walter, que vestiu as cores do Goiás, Atlético-GO, Fluminense, Athletico-PR e foi campeão sul-americano com o Brasil em 2009.Nos clubes e seleções, listas de cobradores são feitas com a ordem dos batedores. Geralmente, são três. Segundo Carlo Ancelotti, a escolha foi feita com base em estatística de um ano de jogadores. Bruno Guimarães era o quarto e só cobrou por estar em campo. À frente dele estavam Neymar, Igor Thiago e Raphinha, todos no banco de reservas.“A discussão sobre quem deveria bater é natural depois de uma eliminação. Porém, dentro de um elenco profissional, a prioridade costuma ser seguir o plano estabelecido. Se Carlo Ancelotti definiu Bruno Guimarães como o primeiro cobrador, a tendência é que essa ordem fosse respeitada. Vini Júnior poderia assumir a cobrança apenas se houvesse uma mudança autorizada ou acordada entre a comissão técnica e os jogadores”, ponderou Josué.Outro assunto que rendeu após a eliminação brasileira foi a postura do atacante Neymar no final da partida. Durante a cobrança do pênalti convertido por ele, o camisa 10 discutiu com o goleiro Nyland, da Noruega, já nos acréscimos com a partida praticamente definida.“A reação do Neymar é de indignação por querer vencer o jogo e saber da importância daquela partida. Na minha visão, o Neymar não teve tempo para poder contribuir mais com a seleção. Os poucos minutos em que ele esteve em campo foram positivos”, opinou Fernando Reges.Para o ex-jogador do Vila Nova, a convocação de Neymar foi importante. “Para mim, valeu a pena levá-lo para a Copa. Neymar não é importante só dentro de campo, mas sua presença compondo o grupo, sua liderança e experiência trazem confiança a todos. Apesar do momento que vive fisicamente, continua sendo um vencedor e é importante ter esse tipo de personalidade vencedora fazendo parte do elenco”, acrescentou.O ex-volante Josué também concorda que a convocação de Neymar também foi correta. Para ele, o camisa 10 é um atleta “capaz de decidir partidas em um lance”. O ex-jogador, porém, acredita que a postura do jogador poderia ter sido diferente na discussão com o goleiro norueguês.“Sem conhecer exatamente o teor da conversa, não é possível concluir se houve excesso ou apenas uma cobrança típica do calor do jogo. Líderes costumam cobrar, mas também precisam manter o equilíbrio emocional, principalmente em um momento tão delicado”, disse.“No fim, uma Copa do Mundo raramente é decidida por um único jogador. A eliminação normalmente resulta de um conjunto de fatores: desempenho coletivo, decisões táticas, aproveitamento das oportunidades e detalhes dos momentos decisivos. Neymar faz parte dessa análise, mas não é o único responsável pelo resultado do Brasil”, acrescentou Josué.