A natação goiana não deixou de existir e crescer por causa da indisponibilidade da principal piscina no Parque Aquático de Goiânia, mas uma geração de atletas perdeu a oportunidade de viver a modalidade no local que já foi a referência da natação em Goiás. Para piorar, o equipamento esportivo, que já recebeu competições nacionais e internacionais, é praticamente desconhecido por alguns competidores.O POPULAR conversou com atletas goianos de 13 a 17 anos na última semana. Eles não tiveram a chance de nadar na piscina olímpica do Parque Aquático. Nenhum dos personagens ao longo do texto nadou no local ou sequer conheceu o lugar.O espaço recebeu a última competição em abril de 2013, o Torneio Aberto de Outono, que contou com 108 atletas. Quase três anos depois, em março de 2016, o equipamento esportivo foi interditado. O que chega de história sobre o Parque Aquático para os jovens, na maioria dos casos, é o retrato da atual situação do equipamento esportivo: foi um espaço de destaque e que está abandonado.“Nunca fui e nunca ouvi histórias. Eu só sei que tem uma piscina”, contou o nadador João Pedro Sena, de 16 anos, que integra o time da Swimmers. “Eu nunca fui lá, sei que existe e que está abandonado. Meu técnico (Pedro Durães) falou algumas coisas sobre lá, que era ativo, recebia várias competições e era uma estrutura muito boa”, acrescentou a nadadora Maria Luiza da Cunha, de 16 anos, que também compete pela Swimmers.“Não conheço a história, ouvi falar que tem uma piscina abandonada e que depois (da interdição) as provas em Goiânia tiveram que ser no Ferreira Pacheco. Só isso”, disse o atleta Davi Mendes Pitaluga, de 13 anos, que compete pelo Clube de Engenharia. “Eu já ouvi falar do Parque Aquático e fui uma vez (em 2018). É um espaço que pode ter uma piscina muito boa, mas que não está sendo usada. Sei que recebeu campeonatos importantes”, salientou Vida Veríssimo Costa, nadadora de 14 anos, que treina no Clube de Engenharia, mas compete pelo Clube Curitibano, de Curitiba (PR).O complexo do Parque Aquático foi fundado em 1979. O local possui três piscinas, sendo uma de 50 metros com oito raias (que está interditada) e outras duas de 25 metros (passam por reforma desde o ano passado). Há uma arquibancada, vestiários e salas administrativas - a Federação Aquática de Goiás ficava no local e atualmente não possui sede fixa.Durante décadas, o equipamento esportivo sediou as principais competições em Goiás e recebeu eventos nacionais e internacionais, com destaque para o Sul-Americano de 1993.Com a indisponibilidade de uso do Parque Aquático, Goiânia deixou de sediar competições nacionais e internacionais. Os atletas do Estado viajam para outras cidades brasileiras para participar das principais provas do País.“Seria um diferencial trazer competições maiores. Além de facilitar nosso deslocamento, fomentaria o esporte goiano, que pode ter mais visibilidade. As equipes mais novas ficariam mais motivadas a crescer na natação. Eu acho que até a torcida mudaria. Minha equipe é minha segunda família, tê-los no local das provas seria diferencial”, opinou o nadador Gabriel Melo Almeida, que vai fazer 17 anos no início de maio e é um exemplo de que a natação goiana se destaca atualmente mesmo sem a utilização da piscina olímpica do Parque Aquático.Gabriel Almeida compete pelo Fluminense desde março do ano passado. Antes de se transferir para o clube carioca, o goiano foi tetracampeão brasileiro dos 200m borboleta, bicampeão brasileiro nos 800m e 1500m livre e campeão no 400m livre e 400m medley com a Swimmers.“Fui uma vez ao Parque Aquático, tem um tempo já, acho que 2019 ou 2020. A piscina estava seca. Alguns treinadores levaram alunos lá para dar uma olhada, falavam na época que ia ser reformado, mas estamos esperando até hoje”, acrescentou o competidor goiano.Para quem compete em âmbito nacional com frequência, há o desejo de que Goiânia volte a sediar torneios de destaque na natação brasileira.“Ia facilitar muito a logística não precisar sair para fora. Sempre que cogitam lugares para competir sempre é São Paulo, Rio de Janeiro ou no Nordeste. Temos que pagar. Tenho pró-atleta e estamos conseguindo alguns patrocínios que facilitam nos valores, mas a maior parte dos custos é dos pais”, frisou a atleta Maria Luiza da Cunha, que coleciona títulos estaduais e regionais nos 50m e 100m livre.Sem o Parque Aquático, praticamente todas as competições de natação em Goiânia são realizadas no Sesi Multiparque, antigo Ferreira Pacheco. No Estado, a piscina da Unievangélica, em Anápolis, também recebe competições estaduais com frequência.“Eu mesmo só nadei no Ferreira Pacheco e no Goiás (na Serrinha). Seria ótimo ter competições importantes de novo. Goiânia poderia ter um nível diferente de natação com o Parque Aquático disponível. Nós temos muitos atletas e equipes capacitadas. Com estrutura melhor, ia dar mais reconhecimento”, completou a nadadora Gabriela Mendes Pires, de 15 anos, que treina e compete pelo Clube de Engenharia.